Lindbergh pede à PF proteção para mulher suspeita de ser laranja de Willer Tomaz, ligado a Flávio Bolsonaro

Lindbergh pede à PF proteção para mulher suspeita de ser laranja de Willer Tomaz, ligado a Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro; Salario Minimo - Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press via AFP

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou, nesta terça-feira (20), um pedido urgente à Polícia Federal (PF) para localizar, proteger e colher o depoimento de Lídia Maria Figueiredo Mazelli, apontada como possível laranja do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um esquema que também envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo informações recebidas pelo parlamentar, Lídia, que teria trabalhado como empregada doméstica, não é localizada desde setembro. Ela aparece como dirigente de pelo menos 14 empresas vinculadas a Willer Tomaz, incluindo a Alcazar Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Lindbergh solicita que a PF avalie a situação de segurança da mulher e adote medidas para garantir sua integridade física, além de apurar seu possível papel nas operações financeiras investigadas.
O pedido está relacionado ao inquérito encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 16 de outubro.
Ligação entre Flávio Bolsonaro e offshore é investigada pela PF
Um dos principais pontos da investigação envolve a relação financeira entre Flávio Bolsonaro e a Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz.
Documentos encontrados pela Polícia Federal mostram que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa, com acesso operacional relevante à estrutura financeira.
Segundo a investigação, esse tipo de cadastro permite gerenciar acessos bancários e autorizar outros operadores.
Para a PF, o registro sustenta a hipótese de uma eventual participação econômica ou societária de Flávio na empresa.
Em 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório de Willer Tomaz solicitou ao Santander que a conta vinculada a Flávio Bolsonaro fosse desvinculada do perfil de usuário master. O pedido foi atendido pelo banco no mesmo dia.
A descoberta passou a integrar as apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e o candidato do PL.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam manter negócios em conjunto e afirmam que a relação entre os dois é de amizade.
Empregada doméstica aparece como dirigente de 14 empresas
No pedido encaminhado à Polícia Federal, Lindbergh chama a atenção para a participação de Lídia Maria Figueiredo Mazelli em empresas e operações financeiras de valores elevados.
Segundo os documentos mencionados pelo deputado, Lídia ocupou cargos de direção em pelo menos 14 empresas ligadas a Willer Tomaz.
Entre elas está a Alcazar Holdings, que possui uma estrutura empresarial no Brasil e em Portugal, e a RioPag, responsável pelo processamento de pagamentos de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
Apesar dessas atribuições, Lídia teria informado à Justiça que não possuía recursos para custear o inventário da própria mãe.
Ela também teria declarado receber apenas um salário mínimo pela administração da Alcazar Brasil.
Os documentos citados por Lindbergh apontam, no entanto, que Lídia assinou a aquisição de uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, avaliada em R$ 10 milhões.
A mulher também teria administrado uma sociedade detentora de direitos sobre uma ilha anunciada por R$ 17 milhões.
Outra empresa sob sua direção foi a RioPag, à qual a Loterj atribui a falta de repasse de R$ 20,9 milhões.
Para Lindbergh, a diferença entre a condição econômica declarada por Lídia e o patrimônio movimentado pelas empresas reforça a necessidade de investigar se ela atuava como pessoa interposta para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos negócios.
Lindbergh pede proteção e depoimento reservado
Diante das suspeitas, o parlamentar solicitou que a Polícia Federal realize diligências para localizar Lídia e avaliar eventuais riscos à sua segurança.
O pedido também prevê a possibilidade de inclusão da mulher no programa federal de proteção a testemunhas, caso sejam identificadas ameaças ou situações de vulnerabilidade.
Lindbergh defende ainda que ela seja ouvida em depoimento reservado, para esclarecer quem controlava efetivamente as empresas, autorizava movimentações bancárias e se beneficiava das operações financeiras.
A preocupação apresentada pelo deputado também está relacionada à viagem de Willer Tomaz ao exterior na mesma semana em que o inquérito foi encaminhado ao STF.
Segundo o parlamentar, é necessário evitar que uma eventual pessoa utilizada como laranja assuma sozinha a responsabilidade por operações financeiras que possam ter sido conduzidas por terceiros.
Jornal Nacional faz matéria sobre investigação de Willer Thomaz, apontado como sócio de Flavio Bolsonaro
A edição do Jornal Nacional (Globo) desta segunda-feira (19) exibiu uma longa reportagem sobre uma operação da Polícia Federal (PF) contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de repassar informações sigilosas de processos da Corte ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL) e apontado como seu possível sócio oculto.
A reportagem também destacou que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro.
“A Polícia Federal fez buscas contra um ex-secretário do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Humberto Pradera é suspeito de repassar informações sigilosas ao advogado Willer Tomaz. Willer e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, são investigados por lavagem de dinheiro”, informou o telejornal na abertura da reportagem.
Em outro momento, o Jornal Nacional apresentou detalhes da relação entre o advogado e o candidato à Presidência, com base em informações obtidas pela Polícia Federal durante a análise de dados extraídos do celular de Willer Tomaz.
“A partir da análise dos dados do celular de Willer Tomaz, a Polícia Federal encontrou e-mails que mostram que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como usuário master de uma conta bancária de uma empresa do advogado. O relatório também cita festas, encontros e reuniões entre Willer e Flávio e o pagamento de viagens ao senador.”
As informações apresentadas pelo telejornal apontam para a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além de trazerem novos elementos sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal.
Confira abaixo a íntegra da reportagem do Jornal Nacional:
https://x.com/centralreality/status/2112333901276344630
PF mira ex-secretário de TI do STJ que teria vazado informações para Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) uma operação que cumpre mandados de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de tecnologia do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de vazar informações sigilosas de processos da Corte para o advogado Willer Tomaz, amigo e possível sócio oculto de Flávio Bolsonaro (PL)..
A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se baseia em um relatório policial que descreve diálogos nos quais Pradera teria antecipado o teor de votos e decisões antes mesmo de sua assinatura. Tomaz nega as acusações e classifica as insinuações como falsas.
Pradera havia sido exonerado do cargo na semana passada e a suspeita central que motivou a ação é o vazamento de informações antecipadas de processos do STJ para o advogado Willer Tomaz.
O ex-secretário ocupava posição estratégica na estrutura tecnológica do tribunal, com acesso privilegiado a sistemas que concentram informações processuais sensíveis. Até o momento da publicação desta matéria, Pradera não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.
As acusações e as provas apresentadas pela PF
O relatório policial que embasou a operação descreve com detalhes os diálogos entre Pradera e Willer Tomaz, nos quais o ex-secretário teria antecipado o teor de votos e decisões do STJ. Em um dos episódios narrados pela PF, Pradera teria enviado a Tomaz uma fotografia da tela de um computador exibindo um documento jurídico de 17 páginas, cujo conteúdo concluía pelo não conhecimento de recursos especiais.
Segundo a PF, a fotografia “aparenta ter sido produzida em ambiente funcional, considerando o contexto do documento exibido e a presença de carimbo sobre a mesa”.
O relatório policial vai além: descreve que, ao ser questionado por Tomaz sobre o número do processo, Pradera identificou o recurso como “REsp 2122969” e explicou os possíveis efeitos da decisão sobre uma tutela em vigor, tudo isso antes de qualquer assinatura ministerial.
“O episódio registra o compartilhamento de conteúdo processual, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos”, conclui o documento da PF. A sequência descrita no relatório sugere não apenas o repasse de um documento, mas uma orientação ativa sobre o que aquela decisão significaria para o caso em questão.
O que dizem os envolvidos e o contexto político
Em nota, Willer Tomaz negou categoricamente ter tido acesso irregular a decisões judiciais ou ter interferido em documentos processuais. “As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais”, afirmou o advogado.
A defesa de Tomaz sustenta que a ciência antecipada de julgados no STJ não constitui ilícito, mas uma funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte, e que transformar rotina processual em suspeita equivale a criminalizar o exercício da advocacia.
O argumento da defesa, porém, não responde ao que a PF efetivamente descreve no relatório: não o simples acesso a informações disponíveis no sistema, mas o recebimento de fotografias de documentos ainda sem assinatura ministerial, acompanhadas de explicações sobre seus efeitos. A distinção entre consultar um sistema público e receber antecipadamente o conteúdo de uma decisão inacabada é o núcleo da suspeita investigada.
Em 8 de setembro, a PF enviou ao Supremo uma nova investigação sobre Flávio Bolsonaro, senador com vínculos reconhecidos com Tomaz, por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado. O inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A operação desta segunda-feira não incluiu mandados relacionados a Flávio Bolsonaro, mas se baseia no mesmo relatório que apontou os vínculos entre o senador e Tomaz.

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