O Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou nesta terça-feira (20) que está apurando uma denúncia de suposto assédio eleitoral envolvendo a Prefeitura de São Paulo e entidades conveniadas à administração municipal, em nota enviada ao g1.
A investigação foi desencadeada após vídeos e áudios obtidos pelo g1 e ICL Notícias mostrarem o prefeito Ricardo Nunes (MDB) convocando, em 17 de outubro, cerca de 300 servidores comissionados a participar de atos políticos de Flávio Bolsonaro (PL), compartilhar nas redes sociais e mobilizar eleitores para uma manifestação na Avenida Paulista. Funcionários de creches conveniadas à prefeitura também denunciaram pressão direta para comparecer ao evento, com oferta de folgas como contrapartida.
A denúncia envolve tanto servidores comissionados da prefeitura quanto funcionários de organizações conveniadas à administração municipal. Servidores comissionados ocupam cargos de confiança sem a exigência de concurso público, o que os torna estruturalmente mais vulneráveis a pressões de seus superiores hierárquicos.
A pressão de Nunes sobre servidores
Em 17 de outubro, Ricardo Nunes comandou uma reunião com cerca de 300 servidores comissionados em um casarão na Avenida Brasil, nos Jardins, zona nobre de São Paulo, no mesmo espaço que funcionou como comitê político da campanha à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo estadual. Estavam presentes dirigentes de autarquias e responsáveis por áreas de secretarias municipais como Educação, Saúde e Habitação, segundo apuração do ICL Notícias. No encontro, o prefeito foi explícito sobre o que esperava dos presentes.
“Precisamos colocar o adesivo no nosso carro, colocar o 22 no peito e nas nossas redes sociais, participar dos atos, falar com as pessoas. E a gente vai ter, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória do Flávio Bolsonaro, uma vitória do Brasil.”
Nos registros obtidos pelo g1 e ICL Notícias, Nunes também orientou os presentes a criar listas de transmissão no WhatsApp para convidar eleitores à manifestação da Avenida Paulista, realizada no domingo (18). O prefeito fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e encerrou com um convite pessoal: “Eu queria muito poder encontrar vocês lá amanhã na Paulista, às 11 horas. Eu, o Flávio, o Tarcísio e o Nikolas, a gente vai atravessar a Paulista inteira de caminhonete até chegar lá na Brigadeiro.”
A pressão não ficou restrita aos servidores comissionados. Segundo apuração do g1, uma funcionária de creche conveniada à Prefeitura de São Paulo denunciou ter sido pressionada pela direção da unidade a participar da manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro. A diretora teria convocado os funcionários, pedido que assinassem uma lista de presença e oferecido folgas em troca da participação, que ocorreria fora do expediente e com deslocamento custeado pelos próprios trabalhadores.
A Prefeitura de São Paulo foi procurada pelo g1 e pelo ICL Notícias para se posicionar sobre as denúncias, mas não respondeu até a última atualização das reportagens.
MPT vai investigar Nunes por assédio eleitoral contra servidores após pedido de apoio a Flávio
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