Candidatos que apresentarem informações falsas no debate presidencial da Globo, marcado para sexta-feira (23), deveriam ser advertidos e, em caso de reincidência, perder parte do tempo de fala.
A proposta integra uma carta aberta organizada por professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, que cobra da emissora a adoção de checagem de fatos em tempo real durante o confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O documento já recebeu mais de 12,5 mil assinaturas e será apresentado publicamente nesta quarta-feira (21), às 19h30, na sede do Departamento de Jornalismo da ECA.
A mobilização questiona o papel das emissoras na condução dos encontros eleitorais. Segundo os autores, a simples distribuição do tempo entre os candidatos deixou de ser suficiente para assegurar ao público informações confiáveis.
O grupo argumenta que os debates passaram a concentrar ataques pessoais, ofensas e declarações sem fundamento, dificultando a discussão de propostas para o país.
Para enfrentar o problema, os signatários sugerem a presença de um terceiro profissional na mediação, encarregado de acompanhar as informações apresentadas pelos candidatos.
A função seria identificar afirmações incorretas e permitir sua contestação durante a própria transmissão, com auxílio de ferramentas tecnológicas.
Além da advertência inicial, a proposta prevê redução do tempo de fala para reincidentes, medida que dependeria de mudanças nas regras dos programas.
A carta também defende providências contra declarações ou propostas que violem direitos humanos ou afrontem princípios constitucionais que não podem ser abolidos por emendas.
A cobrança ocorre após o encontro realizado pela Band no domingo (18). Os organizadores querem que a Globo adote as medidas já nesta sexta-feira, dois dias antes da votação presidencial.
A iniciativa não pretende se limitar à atual eleição. Os signatários defendem que checagem simultânea e mecanismos de responsabilização passem a integrar permanentemente os debates promovidos por emissoras de televisão e rádio.
USP cobra checagem ao vivo e punição por mentiras no debate da Globo
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