O antipetismo continua sendo um dos principais combustíveis eleitorais do bolsonarismo. A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (21), revela que praticamente um em cada três eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) vota no senador não por adesão ao seu projeto político, mas por ser “contra Lula”.
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Segundo o levantamento, 31,2% dos eleitores de Flávio afirmam que votam nele porque são contra o presidente, enquanto 67,1% dizem apoiar o próprio candidato. Outros 1,7% não souberam responder.
Entre os eleitores de Lula, a lógica é diferente. 72,1% afirmam votar no petista por identificação com o presidente, enquanto 23,6% declaram que a escolha é motivada pela rejeição a Flávio Bolsonaro.
A diferença de 7,6 pontos percentuais no chamado voto negativo ajuda a explicar a estratégia eleitoral do filho de Jair Bolsonaro, que busca transformar a rejeição acumulada pelo PT ao longo de décadas em uma força capaz de devolver a extrema direita ao Palácio do Planalto.
Os números também revelam uma fragilidade política da candidatura bolsonarista: embora Flávio tenha conseguido reunir um eleitorado competitivo, uma parcela expressiva desse apoio está ancorada na rejeição ao adversário, e não necessariamente na identificação com o senador.
Isso não significa, porém, que esses votos sejam automaticamente mais voláteis. A pesquisa não estabelece relação direta entre a motivação do eleitor e sua disposição para mudar de candidato.
Dois projetos de país dividem o eleitorado
Mais do que uma disputa entre Lula e o herdeiro político de Jair Bolsonaro, os dados da Meio/Ideia expõem uma divisão sobre o papel do Estado, os direitos trabalhistas e as expectativas de ascensão social.
Entre os brasileiros que consideram que melhorar de vida significa ter emprego com carteira assinada, férias, 13º salário e FGTS, 65,4% votam em Lula, contra apenas 30,2% em Flávio Bolsonaro.
Já entre aqueles que associam a melhoria de vida ao negócio próprio ou ao trabalho autônomo, Flávio lidera com 62,3%, enquanto Lula registra 33,5%.
O contraste ajuda a dimensionar o embate entre a valorização dos direitos trabalhistas, historicamente associada ao campo político de Lula, e o discurso de empreendedorismo e autonomia individual que ganhou força na direita brasileira.
A divisão também aparece na renda. Lula tem 61% das intenções de voto entre os brasileiros que ganham até um salário mínimo, contra 31,6% de Flávio. Já entre os que recebem de três a cinco salários mínimos, o senador lidera por 61,1% a 34,7%.
Os dados indicam que o presidente preserva sua principal base social entre os mais pobres, enquanto Flávio encontra maior apoio nas faixas intermediárias e superiores de renda.
Religião reforça a polarização
Outro recorte importante é o religioso. Entre os católicos, Lula lidera com 55% das intenções de voto, contra 38,8% de Flávio Bolsonaro.
Entre os evangélicos, a situação se inverte: o senador tem 69,8%, enquanto o petista registra 26,8%.
A diferença evidencia a força eleitoral do bolsonarismo entre os evangélicos, segmento em que a direita consolidou uma rede de identificação política e religiosa.
O levantamento mostra, entretanto, que essa divisão não se reproduz entre todos os cristãos. A vantagem de Lula entre os católicos revela que o pertencimento religioso, isoladamente, não determina a preferência política.
Empate técnico e eleição ainda aberta
Apesar da força do antipetismo entre seus apoiadores, Flávio Bolsonaro não conseguiu abrir uma vantagem estatisticamente conclusiva sobre Lula.
Nos votos válidos, o senador aparece com 51,1%, contra 48,9% do presidente. A diferença de 2,2 pontos percentuais mantém a disputa em empate técnico, considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais informada pelo instituto.
Nos votos totais, Flávio tem 48%, contra 46% de Lula. Brancos e nulos somam 3,4%, enquanto 2,6% ainda não sabem em quem votar.
Um dado, porém, mostra que o resultado ainda não está definido: 16,3% dos eleitores admitem que podem mudar de voto até domingo (25).
Embora 83,7% afirmem já ter decidido, o contingente que ainda considera rever sua escolha é numericamente muito superior à diferença entre os candidatos.
A reta final coloca, portanto, dois desafios distintos para as campanhas: Lula precisa ampliar seu eleitorado para além da base social que tradicionalmente sustenta o petismo; Flávio busca transformar o antipetismo em uma maioria eleitoral capaz de levar o bolsonarismo de volta ao poder.
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 15 e 19 de outubro. O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08251/2026.
Leia a íntegra da Pesquisa Meio/Ideia de 21 de outubro de 2026
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