A mobilização digital liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, tem contribuído para mudar a dinâmica da disputa presidencial no segundo turno, segundo avaliação de Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest.
Em entrevista ao UOL News, Russo destacou o impacto da atuação de Janones nas redes sociais e nas ruas, apontando que a estratégia ajudou a impulsionar os indicadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas semanas.
A análise foi feita após a divulgação da pesquisa Quaest desta quarta-feira (21), que mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. O resultado configura um empate técnico entre os candidatos.
Para Russo, a combinação de mobilização digital, manifestações de rua e contato direto com os eleitores representa uma mudança significativa na estratégia da esquerda brasileira.
Quaest reconhece impacto do Exército do Lula na campanha
Durante a entrevista, Guilherme Russo afirmou que a mobilização coordenada por André Janones não tem precedentes no Brasil, especialmente entre os movimentos políticos de esquerda.
“O que o Janones está fazendo não tem precedente no Brasil, especialmente vindo da esquerda. Então, a gente tem que reconhecer esse trabalho, porque ele está sim mudando a campanha em algumas frentes”, declarou.
O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado, tornou-se uma das principais ferramentas de mobilização digital dos apoiadores do presidente durante o segundo turno.
Segundo Russo, a estratégia vai além das redes sociais e inclui manifestações de rua, conversas diretas com eleitores e ações coordenadas para ampliar o engajamento em torno da candidatura petista.
Na avaliação do diretor da Quaest, a intensidade dessa mobilização representa uma novidade na atuação da esquerda brasileira, que historicamente enfrentava dificuldades para competir com a direita no ambiente digital.
O reconhecimento também ocorre em um momento de recuperação dos indicadores eleitorais de Lula, que reduziu a distância em relação a Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto.
Pesquisa Quaest mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro
A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) registrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 44%.
Embora o candidato do PL esteja numericamente à frente, a diferença de um ponto percentual configura um empate técnico dentro da margem de erro do levantamento.
O resultado representa uma mudança em relação ao início do segundo turno, quando Flávio Bolsonaro aparecia com uma vantagem maior sobre o presidente.
Russo explicou que a sequência de pesquisas realizadas ao longo da campanha aponta uma melhora consistente dos números de Lula.
“A tendência, a série de pesquisas ao longo do segundo turno foi quase todas no sentido de melhorar os números para o Lula. Ele ainda está numericamente atrás, mas a tendência foi essa”, afirmou.
Além das intenções de voto, o diretor da Quaest destacou avanços em outros indicadores relacionados à presença digital do presidente.
Entre eles estão o aumento das buscas no Google, a melhora nos índices de popularidade digital e o crescimento do engajamento nas redes sociais.
Segundo Russo, os dados mostram que a esquerda passou a disputar espaço com maior intensidade e, em determinados aspectos, a superar seus adversários no ambiente digital.
Mobilização nas redes e nas ruas impulsiona indicadores de Lula
Guilherme Russo classificou a mobilização das últimas duas semanas como “muito forte, muito grande”, destacando a combinação entre campanhas digitais, manifestações de rua e conversas diretas com os eleitores.
Na avaliação do diretor da Quaest, essas ações contribuíram para ampliar o engajamento dos apoiadores de Lula e melhorar a percepção do eleitorado sobre o presidente.
Russo também comentou a declaração de André Janones de que a virada de Lula na disputa presidencial já estaria garantida.
Segundo ele, esse tipo de discurso é comum em campanhas eleitorais e funciona como instrumento para manter os apoiadores mobilizados.
O diretor ressaltou, no entanto, que a recuperação de Lula não se limita ao discurso político, mas também aparece nos indicadores das pesquisas.
De acordo com Russo, a aprovação do governo apresentou crescimento durante o segundo turno, enquanto a rejeição ao presidente caiu seis pontos percentuais.
Os resultados reforçam a avaliação de que a campanha petista conseguiu recuperar terreno na disputa presidencial, especialmente após a intensificação das ações de mobilização.
Quaest aponta crescimento de indecisos na reta final da eleição
Apesar da melhora dos indicadores de Lula, a pesquisa Quaest também identificou um aumento no número de eleitores indecisos na pergunta espontânea.
O movimento foi observado principalmente entre eleitores independentes e parte do eleitorado feminino.
Russo relacionou esse comportamento, em parte, ao tom do debate presidencial realizado pela Band e à intensificação dos ataques entre os candidatos nos últimos dias de campanha.
O crescimento dos indecisos indica que a disputa permanece aberta, mesmo diante da recuperação eleitoral do presidente.
Para o diretor da Quaest, a mobilização coordenada por André Janones representa uma mudança importante na capacidade de atuação digital da esquerda brasileira.
A avaliação é de que o “Exército do Lula” ajudou a transformar as redes sociais em um espaço de disputa mais equilibrado, em um momento decisivo para a eleição presidencial.
Quaest: o impacto do Exército do Lula e Janones no segundo turno da eleição
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