Ouvidoria pede afastastamento dos policiais que teriam forçado presos a usar camisetas de Lula

Ouvidoria pede afastastamento dos policiais que teriam forçado presos a usar camisetas de Lula
- Foto: Reprodução/Redes sociais

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo pediu o afastamento de policiais militares acusados de obrigar três detidos a vestir camisetas de apoio a Lula (PT) durante uma operação em Piracicaba, no interior paulista.
O órgão acionou a Corregedoria da PM, cobrou informações sobre a abordagem e solicitou que os agentes sejam retirados das funções até a conclusão das investigações.
A medida foi tomada após denúncias envolvendo a prisão de dois homens, de 21 e 24 anos, e a apreensão de um adolescente de 17 anos, na quarta-feira (21), na comunidade Vitória Pantanal.
A mãe do menor afirma que os policiais obrigaram os três a usar camisetas do petista e que seu filho também foi agredido durante a ação.
O caso ganhou repercussão depois que o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas, publicou fotografias dos detidos com roupas idênticas de apoio a Lula. Derrite elogiou a operação e defendeu a redução da maioridade penal.
A denúncia que motivou a atuação da Ouvidoria partiu da deputada estadual Professora Bebel (PT). A parlamentar relatou que mulheres que distribuíam material de campanha na mesma comunidade foram intimidadas e agredidas por PMs. Segundo ela, os agentes também exigiram que entregassem camisetas da Apeoesp com mensagens de apoio ao presidente, semelhantes às usadas pelos detidos nas fotografias.
Em manifestação assinada pelo ouvidor Mauro Caseri, o órgão afirmou que os relatos indicam possíveis casos de violência policial, abuso de autoridade e constrangimento ilegal, além de condutas que podem caracterizar tortura ou tratamento degradante.
A Ouvidoria abriu um protocolo para acompanhar o episódio e exigiu rapidez e independência na apuração, com análise de imagens, registros operacionais e depoimentos. Também ressaltou que a atividade policial deve respeitar a neutralidade político-partidária.
A Secretaria da Segurança Pública informou que não recebeu registros das irregularidades denunciadas. A pasta afirmou que não tolera desvios de conduta e disse que a operação teve início após uma denúncia ao 190.

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