O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta quinta-feira (22), que a Meta, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, apresente, em até 12 horas, explicações técnicas sobre o alcance considerado “privilegiado” dos perfis de Nikolas Ferreira (PL), Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL).
A decisão, assinada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cuevas, atende a uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que questiona uma possível amplificação algorítmica de conteúdos ligados à oposição durante o segundo turno.
Em caso de descumprimento, a Meta estará sujeita a uma multa de R$ 100 mil por hora, o equivalente a R$ 2,4 milhões a cada 24 horas.
TSE cobra explicações sobre alcance de perfis ligados a Flávio Bolsonaro
A determinação exige que a Meta informe a origem das visualizações dos conteúdos publicados pelos perfis investigados, a proporção de acessos de seguidores e não seguidores e o número de contas efetivamente alcançadas.
A empresa também deverá apresentar uma “explicação objetiva das métricas de distribuição do alcance utilizadas”, identificando os principais mecanismos de distribuição das publicações.
O objetivo é esclarecer a diferença entre visualizações, contas alcançadas e reproduções repetidas, além de identificar quanto da circulação dos conteúdos decorreu de recomendações dos algoritmos.
Para o ministro, essas informações são necessárias para avaliar as alegações de que determinados perfis políticos estariam recebendo uma distribuição desproporcional de suas publicações.
Vídeo de Nikolas Ferreira com 160 milhões de visualizações está no centro da ação
Um dos principais pontos da investigação é um vídeo publicado por Nikolas Ferreira no Instagram, em 20 de outubro, intitulado “O Nordeste que foi esquecido”.
A gravação reúne depoimentos de moradores da região que criticam o governo Lula e manifestam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo a campanha petista, o vídeo alcançou 12 milhões de visualizações em apenas 30 minutos, 50 milhões em três horas e 103,2 milhões em nove horas. Posteriormente, o conteúdo teria atingido 160 milhões de visualizações.
Na ação, os advogados de Lula afirmam que os números superam o desempenho registrado pelas dez maiores contas globais do Instagram em 2026.
A decisão também menciona uma reportagem da Folha de S.Paulo que compara o alcance do vídeo de Nikolas, que possui cerca de 25 milhões de seguidores, ao de publicações de celebridades como Neymar, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Ministro cita mudança no alcance de Nikolas Ferreira
Ao fundamentar a decisão, Villas Bôas Cuevas também mencionou dados sobre a distribuição das publicações de Nikolas Ferreira no X, antigo Twitter.
Entre 25 de agosto e 14 de outubro, período em que um filtro de recomendação esteve ativo, os seguidores do deputado representavam entre 80% e 91% das impressões de suas publicações.
Após a retirada do filtro, entre 14 e 18 de outubro, essa proporção caiu para uma faixa entre 28% e 41%. Com isso, a maior parte das impressões passou a vir de usuários que não seguiam o parlamentar.
Para o ministro, a mudança “reforça a necessidade de esclarecimentos técnicos acerca das métricas de distribuição e alcance”.
Na decisão, ele destacou a importância de identificar como os conteúdos chegam aos usuários:
“É necessário compreender as métricas de distribuição do alcance, especialmente a origem das visualizações, a participação de seguidores e não seguidores e as superfícies pelas quais os conteúdos foram disponibilizados aos usuários, de modo a distinguir, na medida tecnicamente possível, a circulação decorrente de recomendações daquela resultante de outras formas de acesso e compartilhamento.”
Meta nega favorecimento a políticos
Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Meta negou conceder tratamento preferencial a perfis políticos e afirmou que o desempenho das publicações depende principalmente da interação dos usuários.
“É o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo”, declarou a empresa.
Segundo a plataforma, vídeos que recebem muitas visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em pouco tempo podem alcançar públicos maiores, independentemente da quantidade de seguidores.
“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma parcela maior de seu público estiver ativa”, acrescentou.
A explicação, no entanto, não afastou a necessidade de apresentação dos dados técnicos solicitados pela Justiça Eleitoral.
TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance de Nikolas, Marçal e Flávio Bolsonaro
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