Flávio Bolsonaro retoma ideia de Paulo Guedes de vender Banco do Brasil ao Bank of America

Flávio Bolsonaro retoma ideia de Paulo Guedes de vender Banco do Brasil ao Bank of America
- Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e aliados de sua equipe econômica discutem uma possível associação entre o Banco do Brasil e o Bank of America, com a entrada do grupo norte-americano no capital da instituição brasileira. A operação poderia permitir a participação de investidores estrangeiros na administração e nas decisões estratégicas do banco estatal sem que a União perdesse necessariamente o controle acionário.
A informação foi publicada pela coluna Relatório Reservado, do Jornal do Brasil, que atribui a iniciativa a interlocutores ligados à campanha de Flávio. Segundo a publicação, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém conversas com representantes do governo norte-americano sobre a possibilidade desde antes do início da campanha eleitoral.
As tratativas envolveriam interlocutores do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e da Casa Branca. De acordo com a coluna, a proposta ainda está em fase de discussão e depende da definição de um modelo societário que permita a entrada de um acionista estrangeiro sem comprometer a maioria do capital votante sob controle da União.
A operação representaria uma alternativa à privatização integral do Banco do Brasil. Nesse formato, o Bank of America poderia adquirir uma participação minoritária relevante, conquistar assento no conselho de administração e ampliar sua influência sobre a gestão e as estratégias comerciais da instituição brasileira.
A publicação ressalta, porém, que as conversas ocorrem de maneira reservada e que não há confirmação pública de um acordo fechado entre as instituições.
Estrutura acionária é obstáculo
Um dos principais desafios para a eventual associação é a composição acionária do Banco do Brasil. A União detém 50% mais uma ação da instituição, participação que lhe assegura o controle. O restante está majoritariamente nas mãos de investidores privados.
Nesse cenário, uma venda de ações pelo governo que envolvesse parcela relevante do capital votante poderia comprometer a maioria necessária à manutenção do controle estatal. Por isso, segundo o Relatório Reservado, os envolvidos estariam estudando alternativas financeiras e societárias para viabilizar a entrada do banco norte-americano.
A coluna descreve o modelo como uma espécie de privatização parcial, na qual o governo manteria formalmente o controle acionário, mas dividiria parte do poder decisório com um investidor estrangeiro.
A proposta também teria implicações fiscais. A ampliação dos negócios do Banco do Brasil poderia elevar os lucros e, consequentemente, os dividendos pagos à União. Por outro lado, a eventual remessa de recursos ao exterior exigiria avaliar os efeitos sobre o balanço de pagamentos brasileiro.
Ideia já apareceu na equipe econômica
A possibilidade de privatização ou associação do Banco do Brasil com um grupo estrangeiro não seria inédita entre os nomes ligados à equipe econômica de Flávio Bolsonaro.
Segundo o Jornal do Brasil, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante do entorno econômico do senador, admitiu em setembro, durante um evento do Grupo Esfera, a possibilidade de privatização do Banco do Brasil. Na ocasião, ela mencionou que as ações da instituição eram negociadas abaixo de seu valor patrimonial.
A ideia também remonta ao período em que Paulo Guedes comandou o Ministério da Economia no governo Jair Bolsonaro. Em novembro de 2018, após a eleição presidencial daquele ano, Guedes mencionou a hipótese de uma fusão entre o Banco do Brasil e o Bank of America. Em maio de 2019, voltou a abordar uma possível associação durante um evento em Dallas, nos Estados Unidos.
Veja abaixo:
https://revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Paulo-Guedes-sobre-venda-do-BB.mp4
 
Aproximação com Trump
A proposta também teria uma dimensão geopolítica. Segundo a coluna, uma associação entre os dois bancos poderia aproximar os sistemas financeiros brasileiro e norte-americano e ampliar a cooperação bilateral em áreas como financiamento de exportações, infraestrutura, operações de câmbio e mercado de capitais.
O movimento também poderia servir aos interesses políticos da família Bolsonaro, que mantém proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma eventual parceria com o Bank of America daria à equipe de Flávio uma iniciativa econômica concreta para apresentar a Washington, caso o senador vença a eleição.
 

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