Por que Flávio se recusa a abrir sigilos? Lula abriu sigilos?

Por que Flávio se recusa a abrir sigilos? Lula abriu sigilos?
Lula e Flávio Bolsonaro - Foto: Evaristo SA / AFP

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou nesta quinta-feira (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os documentos que autorizam a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos de familiares e assessores, cumprindo o acordo firmado com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A equipe do candidato do PL, no entanto, chegou ao TSE de mãos vazias e condicionou a entrega à prévia “verificação” do material apresentado por Lula, gerando um impasse com prazo até as 23h59 do mesmo dia.
O acordo e a entrega de Lula
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, apresentou à imprensa um termo assinado pelos dois candidatos autorizando “a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos” bancário, fiscal e telefônico, com prazo até as 23h59 desta quinta-feira (22). O documento foi protocolado no TSE e será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte Eleitoral.
A campanha petista entregou as autorizações referentes a Lula, seus filhos, a primeira-dama Janja da Silva e alguns assessores, cobrindo os últimos oito anos. O acordo também abrange familiares dos dois candidatos e pessoas jurídicas a eles vinculadas, incluindo a empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e com quem o candidato do PL é alvo de inquérito no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro.
A condição de Flávio Bolsonaro
A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante da campanha de Flávio Bolsonaro, chegou ao TSE sem os documentos de autorização. Ela informou que concordava em protocolar o pedido até as 23h59, mas condicionou a entrega à conferência prévia do material apresentado por Lula. “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, declarou.
Segundo Bucchianeri, a campanha quer verificar se Lula “cumpriu o que prometeu” e se “trouxe verdadeiramente os documentos”, para evitar que a divulgação se limite a informações consideradas insuficientes. A advogada afirmou que a equipe já dispõe do material e que a entrega poderia ocorrer imediatamente após a análise. Deltan Dallagnol, senador eleito pelo Novo (PR) e ex-procurador da Lava Jato, será o responsável por analisar o conteúdo entregue pela campanha de Lula, conforme informado pela própria representante do PL.
O histórico do desafio dos sigilos
O embate teve início no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro, durante debate na TV Band, a uma divulgação simultânea de informações bancárias e telefônicas, após acusações de corrupção trocadas no confronto. Na terça-feira (20), Lula protocolou no TSE e no STF autorização para a abertura de seus próprios sigilos e de suas pessoas jurídicas, condicionada à reciprocidade de Flávio.
Flávio aceitou a proposta, mas apresentou condições adicionais: divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência, informações sobre a agenda de Janja e abertura do sigilo do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A campanha petista afirmou aceitar todas as exigências, incluindo a quebra dos sigilos de Marcola, e protocolou os documentos conforme combinado. A entrega de Flávio, no entanto, ficou na dependência da “conferência” que sua equipe prometeu realizar.

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