Flávio Bolsonaro e as milícias: o vídeo em que candidato defende legalizar grupos criminosos

Flávio Bolsonaro e as milícias: o vídeo em que candidato defende legalizar grupos criminosos
Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)

Um vídeo de 2007 mostra o então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendendo, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que as milícias não fossem estigmatizadas e propondo sua regulamentação. O material, exibido por Daniela Lima no Pulso Político do Canal UOL, ressurge em meio à corrida eleitoral e se soma a episódios posteriores em que o parlamentar criticou juízas conhecidas pelo combate a crimes cometidos por policiais, incluindo uma publicação feita horas após o assassinato da magistrada Patrícia Acioli.
Flávio Bolsonaro defende milícias em 2007
Em 7 de fevereiro de 2007, Flávio Bolsonaro usou a tribuna da Alerj para pedir que as milícias não fossem tratadas como organizações criminosas. “Não se pode levar para o lado de simplesmente estigmatizar a milícia, em especial os policiais que estão envolvidos nesse novo tipo aí de policiamento”, afirmou o então deputado estadual. Para ele, policiais moradores de comunidades se organizavam para barrar o tráfico e isso representava um benefício à população. “Pergunte a qualquer morador que mora numa comunidade dessa, dominada pelas milícias, se ele quer sair de lá, que ele não está feliz da vida”, declarou.
Flávio chegou a dizer que estaria disposto a pagar entre R$ 20 e R$ 40 por segurança, endossando a cobrança de valores pelos grupos armados. Em março do mesmo ano, anunciou a intenção de apresentar um projeto para regulamentar as chamadas “polícias mineiras”, nome então usado para designar os milicianos, e se posicionou contra a criação de uma CPI para investigar essas organizações.
Críticas a juízas que combatiam policiais criminosos
Em 12 de agosto de 2011, horas depois do assassinato da juíza Patrícia Acioli, Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais uma mensagem que responsabilizava parcialmente a magistrada pela hostilidade que enfrentava. “Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com q ela humilhava Policiais nas sessões contribuiu p ter mts inimigos”, escreveu. Patrícia Acioli havia sido executada com 21 tiros na noite anterior, ao chegar à sua residência em Niterói. As investigações identificaram 11 policiais militares envolvidos no crime, todos posteriormente condenados, incluindo o comandante do 7º Batalhão da PM como mandante.
Em outubro de 2015, Flávio voltou a criticar uma magistrada em contexto semelhante, saindo em defesa de presos acusados de agredir a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, durante uma fiscalização em unidade prisional da Polícia Militar.
Repercussão e posicionamento atual
Daniela Lima, que exibiu o discurso de 2007 no Pulso Político do Canal UOL, destacou que as declarações foram feitas num momento em que as autoridades já debatiam o avanço das milícias no Rio e que o material, produzido pelo próprio Flávio, pode se tornar um problema para sua campanha. O colunista Cézar Feitoza foi além: após reunir declarações do candidato em defesa dos grupos milicianos ao longo dos anos, afirmou que “a gente viu o que se tornaram as milícias nesses últimos anos e a gente não vê Flávio Bolsonaro dizendo que fez um diagnóstico errado àquela altura.”
Daniela Lima também lembrou o histórico de violência associado às milícias no Rio de Janeiro, citando assassinatos atribuídos a integrantes desses grupos, como os da própria juíza Patrícia Acioli e da vereadora Marielle Franco. Flávio Bolsonaro não fez, até o momento, nenhum reconhecimento público de que sua avaliação sobre as milícias em 2007 estava equivocada.

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