A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, já avisou que a Inteligência Artificial vai substituir categorias inteiras do funcionalismo público no Brasil. A economista defendeu a substituição de servidores públicos de carreiras administrativas e operacionais por sistemas de IA como forma de enxugar a máquina pública e reduzir custos estatais
“Quais carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial? 12 milhões e meio de servidores públicos. Tudo certo, começou lá atrás. Agora, a cada 5 anos, cada ano, vai aposentando 20%. E aí, substitui, faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, afirmou.
https://x.com/e_legalmente/status/2112253067382935994
Enquanto o plano de governo de Lula para o próximo mandato, caso seja reeleito, prevê a manutenção dos concursos públicos federais, o plano de governo de Flávio Bolsonaro registrado no TSE oferece ao funcionalismo mais perguntas do que respostas.
O documento, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, promete um “tesouraço” nos gastos públicos, o corte de pelo menos dez ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas, a retomada das privatizações e a continuidade da reforma administrativa. O que ele não diz é o que isso significa, na prática, para quem trabalha no serviço público e depende dele para cuidar da saúde.
Fora do papel, os sinais são mais explícitos. Antes mesmo das declarações de sua coordenadora econômica, em fevereiro, em evento do BTG Pactual, o próprio Flavio Bolsonaro afirmou que pretende privatizar 95% das estatais.
https://x.com/RomuloBDias/status/2103231579703181758
A saúde do servidor em risco
Para o servidor, para além do risco de cortes de carreiras, fica a pergunta: o que acontece com a rede de proteção e valorização construída ao longo de décadas de luta?
Entre as conquistas dos servidores estão os planos de saúde de autogestão, como Assefaz, Cassi, Geap, Postal Saúde, entre outras, sem fins lucrativos, mantidos por contribuições dos beneficiários e das patrocinadoras públicas. Eles dependem de dois fatores que um programa de cortes e privatizações pode afetar: o financiamento da União, de empresas públicas e estatais, e a previsibilidade institucional.
Assefaz, Cassi, Geap e Postal Saúde são autogestões que cumprem um importante papel social e regulatório. O pós COVID-19 foi difícil para todas as operadoras e isso se percebe nos números da Agência Nacional de Saúde Complementar, a ANS. Mas sobreviveram e hoje atendem muitos idosos. Só a Geap possui mais de 200 mil idosos beneficiários, sendo 640 que já passaram dos 100 anos de idade.
O futuro indica a necessidade de um olhar aplicado, para a melhoria na governança dessas autogestões, bem como maior participação dos beneficiários e entidades nas decisões. Não se pode aceitar retrocesso. Muito menos rupturas. Na Geap, por exemplo, em junho de 2016, dirigentes de entidades de servidores publicaram no Blog do Servidor, do Correio Braziliense, o artigo “Governo Temer atua pelo fim da Geap Saúde”.
De um lado, uma candidatura que promete enxugar o Estado sem detalhar o custo para o servidor. De outro, uma candidatura que prevê manter os concursos e cuja liderança nasceu da negociação com as categorias de trabalhadores. Está claro que o servidor corre menos risco com Lula. A decisão, como sempre, é do eleitor, mas é bom que ela seja tomada sabendo o que está em jogo.
Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro já avisou: IA vai substituir o servidor público
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