Flávio Bolsonaro (PL) mudou o discurso sobre a Tarifa Zero no transporte público durante o debate com o presidente Lula (PT), realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23). Apenas oito dias depois de ironizar a proposta de gratuidade nos ônibus aos fins de semana, o candidato à Presidência afirmou ser “super a favor” da iniciativa.
Em uma transmissão ao vivo no dia 15 de outubro, Flávio reagiu com deboche ao anúncio feito por Lula e questionou a viabilidade da medida.
“Hoje o Lula prometeu que vai dar ônibus de graça aí, né? E agora a gente descobriu por que é que a picanha ainda não chegou. Porque a picanha tá vindo de ônibus”, ironizou.
Na sequência, foi ainda mais direto ao desacreditar a proposta.
“Ele tá prometendo tudo que ele não vai entregar. Agora ele perdeu a linha de novo, tá prometendo ônibus de graça que não vai entregar também. Será que tem gente que acredita nisso?”, declarou Flávio na ocasião.
Oito dias depois, Flávio diz ser “super a favor”
Durante o debate da Globo desta sexta-feira, Lula recuperou o assunto e perguntou diretamente ao adversário se ele era favorável à Tarifa Zero.
Desta vez, Flávio respondeu: “Sou super a favor disso”.
O candidato do PL afirmou que os trabalhadores merecem ter transporte gratuito para aproveitar os momentos de lazer. Em seguida, porém, direcionou sua resposta para críticas à política tributária do governo federal.
A declaração contrasta com o discurso adotado oito dias antes, quando Flávio não apenas ironizou a proposta, como afirmou que Lula não conseguiria colocá-la em prática.
PEC já está no Congresso
Ao contrário do que Flávio havia sugerido na transmissão do dia 15, a proposta avançou nos dias seguintes. Lula encaminhou ao Congresso Nacional, na quarta-feira (21), a Proposta de Emenda à Constituição da Tarifa Zero.
O texto prevê a gratuidade do transporte público coletivo urbano aos fins de semana e feriados e estabelece que pelo menos 26,8% dos recursos das emendas parlamentares individuais e de bancada sejam destinados ao financiamento da medida.
A PEC ainda precisa ser analisada pelo Congresso e, por se tratar de uma alteração constitucional, depende da aprovação de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos em cada Casa.
Lula também tem relacionado a Tarifa Zero ao fim da escala 6×1. O presidente argumenta que, com mais tempo de descanso, trabalhadores também precisam ter condições de se deslocar para atividades de lazer e convivência com suas famílias.
As duas declarações de Flávio, separadas por apenas oito dias, registram uma mudança pública de posição diante da mesma proposta: em 15 de outubro, dizia que Lula prometia um benefício que “não vai entregar”; nesta sexta-feira, a dois dias do segundo turno, afirmou ser “super a favor” da Tarifa Zero.
Flávio Bolsonaro ironizou Tarifa Zero de Lula antes de declarar apoio no debate da Globo
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