PT pede prisão do prefeito de Salvador por crime eleitoral após retenção de ônibus no dia do 2º turno

PT pede prisão do prefeito de Salvador por crime eleitoral após retenção de ônibus no dia do 2º turno
Caos no transporte público de Salvador no dia do segundo turno da eleição - Foto: Divulgação/Eden Valadares

A crise no transporte público de Salvador durante o segundo turno das eleições ganhou um novo e explosivo desdobramento neste domingo (25). O presidente do PT da Bahia, Eden Valadares, afirmou que a Federação Brasil da Esperança solicitou à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal a prisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), por crime eleitoral, em meio às denúncias de retenção de ônibus, superlotação em estações e dificuldade de deslocamento de eleitores pela capital baiana.
A declaração foi feita por Eden em publicação nas redes sociais. “Solicitamos à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal o pedido de PRISÃO do prefeito de Salvador, Bruno Reis, por CRIME ELEITORAL”, escreveu. No mesmo post, ele sustenta que boa parte da frota seguia parada nas garagens e que pontos e estações continuavam abarrotados de eleitores.
Éden Valadares no X: “Considerando que os ônibus continua nas garagens, boa parte da frota segue parada; Considerando que os pontos de ônibus as estações continuam abarrotadas de eleitores e eleitores; E considerando que informação que a gente recebeu é que o secretário responsável está fora do https://t.co/zOXalHLkBW” / X
O novo movimento político e jurídico ocorre horas depois de a própria Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, já ter acionado o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) por causa dos problemas no transporte público durante a votação.
Denúncias de ônibus retidos e eleitores prejudicados
Mais cedo, a Fórum mostrou que o domingo eleitoral em Salvador tem sido marcado por ônibus retidos em garagens, terminais lotados, longas esperas e denúncias de embarques negados, inclusive para passageiros que tentavam viajar ao interior da Bahia.
A situação levou a federação a recorrer à Justiça com o argumento de que a redução da circulação de coletivos estaria dificultando o exercício do voto. Na representação anterior, o grupo já pedia providências urgentes, entre elas atuação da Polícia Federal e multa contra os responsáveis pela operação do sistema de transporte.
A própria Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) reconheceu problemas na operação e admitiu retenção de ônibus em garagem da capital baiana. A pasta atribuiu o impasse a um episódio envolvendo adesivos eleitorais nos veículos e afirmou ter adotado medidas para liberar a frota.
Bruno Reis reconheceu retenção de ônibus
O prefeito Bruno Reis reconheceu que 75 ônibus ficaram retidos durante a manhã, mas negou ter havido ação deliberada da prefeitura para impedir o deslocamento dos eleitores. Segundo ele, a frota foi disponibilizada e o problema teria sido provocado por impasses operacionais ligados à propaganda eleitoral.
Já o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, também admitiu atrasos e pediu desculpas à população. Ele afirmou que a maior parte da frota já havia deixado as garagens no momento de sua declaração.
Apesar disso, ao longo do dia seguiram circulando nas redes sociais vídeos e relatos de pontos de ônibus cheios, estações abarrotadas e passageiros aguardando por longos períodos, o que ampliou a pressão política sobre a prefeitura.
Legislação eleitoral prevê punição para dificultar o voto
A legislação eleitoral determina gratuidade do transporte coletivo no dia da eleição e manutenção de oferta compatível com a operação habitual. A eventual redução injustificada do serviço, se comprovada, pode ser enquadrada como conduta de dificultação do exercício do voto, tema que costuma receber atenção da Justiça Eleitoral em dias de votação.
É com base nessa interpretação que o PT e seus aliados passaram a mirar não apenas o secretário responsável pela mobilidade, mas agora também o próprio prefeito da capital baiana.

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