A Justiça Eleitoral determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, neste domingo (25), após a retenção de ônibus nas garagens da capital baiana durante o segundo turno das eleições presidenciais. A informação foi divulgada pelo portal Metro1, que afirma ter recebido a confirmação diretamente do presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer.
Segundo o veículo, o magistrado confirmou a ordem de prisão ao apresentador Mário Kertész, da Rádio Metrópole. A medida ocorre após uma manhã de denúncias de falta de ônibus, pontos superlotados e dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação. Ainda não há confirmação de que a ordem tenha sido cumprida.
A decisão noticiada pela emissora representa um novo desdobramento da crise que levou a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) a pedir a prisão em flagrante do secretário. A entidade acusa a administração do prefeito Bruno Reis (União Brasil) de dificultar o exercício do voto ao manter veículos fora de circulação durante a votação.
Mais cedo, o presidente do PT da Bahia, Eden Valadares, também anunciou um pedido de prisão do próprio prefeito por crime eleitoral, diante da continuidade dos relatos de ônibus parados nas garagens e estações abarrotadas de passageiros.
TRE determina multa de R$ 1 milhão por hora
Em decisão assinada às 11h54 deste domingo, à qual a Fórum teve acesso, o presidente do TRE-BA determinou o restabelecimento imediato de toda a frota municipal, com frequência equivalente à dos dias úteis e transporte gratuito durante a votação e pelo tempo necessário para o retorno dos eleitores.
O magistrado estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, aplicável ao município e individualmente às empresas concessionárias. Também determinou que o secretário comprove o cumprimento da ordem no prazo de uma hora após sua notificação.
A decisão escrita, referente ao processo nº 0600025-67.2026.6.05.0013, não contém determinação expressa de prisão. A ordem contra Pablo Souza foi informada posteriormente pelo Metro1, com base na confirmação atribuída ao presidente do tribunal.
O TRE-BA também determinou que a Polícia Civil fiscalize o cumprimento das medidas, inclusive com a utilização de drones, e encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes eleitorais.
Na fundamentação, o desembargador ressaltou que a simples gratuidade do transporte não assegura o direito ao voto quando os ônibus permanecem nas garagens. O tribunal citou os artigos 297 e 304 do Código Eleitoral, que tratam de condutas relacionadas ao impedimento do exercício do voto e à recusa do fornecimento normal de transporte no dia da eleição.
Prefeitura reconheceu retenção de 75 ônibus
Como a Fórum noticiou anteriormente, Bruno Reis reconheceu que 75 ônibus ficaram retidos na manhã deste domingo, mas atribuiu o problema à colocação de adesivos eleitorais nos veículos por integrantes de movimentos sindicais. O prefeito negou que a administração municipal tenha tentado impedir o deslocamento dos eleitores.
Pablo Souza também havia admitido atrasos na saída dos coletivos, pedido desculpas à população e afirmado que determinou a liberação dos ônibus, mesmo antes da retirada completa dos adesivos.
Apesar das explicações da prefeitura, as denúncias sobre o transporte levaram o caso à Justiça Eleitoral e motivaram pedidos de responsabilização das autoridades municipais.
A votação do segundo turno se encerra às 17h, horário de Brasília.
Justiça manda prender secretário de Bruno Reis por ônibus retidos no 2º turno em Salvador
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