O ministro Guilherme Boulos (PSOL) anunciou, neste domingo (25), pelas redes sociais, que pedirá ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a prisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do secretário municipal de Transportes, Celso Jorge Caldeira.
A decisão foi tomada porque a capital paulista operou com frota de ônibus abaixo do nível determinado pela Justiça Eleitoral no dia do segundo turno das eleições presidenciais.
O TRE-SP havia determinado, no sábado (24), que 100% dos ônibus da SPTrans estivessem em circulação, com base na Resolução TSE 23.751/2026, mas dados do Infobus registraram, às 13h20 do domingo, apenas 71,7% da frota nas ruas, com quase 3.900 veículos parados nas garagens.
“Vamos pedir a prisão de Ricardo Nunes e do Secretário Municipal de Transportes ao TRE/SP. Já há o precedente de Salvador. Não vão impedir o povo de votar com golpe baixo!”, publicou Boulos.
O pedido, segundo o ministro, também deve alcançar Victor Hugo Borges, presidente da SPTrans, autarquia responsável pela gestão do transporte coletivo na capital.
Boulos invocou como precedente uma ação movida pelo PT contra o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), por situação semelhante no transporte coletivo em dia de votação, sinalizando que a estratégia jurídica já tem caminho traçado.
https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2114405765356154945
Situação da frota
A determinação partiu do juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti Machado, que no sábado (24) ordenou a disponibilização de 100% da frota de ônibus para o domingo de eleição. A norma exige que o transporte coletivo urbano funcione nos dias de votação com a mesma frequência dos dias úteis, garantindo condições mínimas de acesso às urnas.
Os números registrados no dia contradizem o cumprimento da ordem. Às 13h20 do domingo (25), o Infobus, sistema de monitoramento por geolocalização, indicava 9.892 ônibus em circulação de uma frota total de 13.790 veículos vinculados à SPTrans, o que corresponde a 71,7% do total.
Os 3.898 ônibus restantes permaneciam nas garagens naquele horário. Passageiros relataram demoras em diferentes regiões da cidade ao longo do dia, com denúncias concentradas especialmente na Zona Leste, em bairros como o Itaim Paulista.
O que disse a Prefeitura
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, do presidente Lula (PT), afirmou ter recebido denúncias de poucos ônibus circulando na capital e acusa a Prefeitura de São Paulo de operar com apenas 60% da frota no segundo turno, segundo a própria coligação.
O grupo ingressou com petição pedindo a “intimação imediata do Município de São Paulo e da SPTrans” para restabelecer a operação integral até o encerramento da votação e o retorno dos eleitores.
A Prefeitura, em nota, criticou o prazo da decisão judicial, afirmando que ela foi tomada “a menos de 24 horas do pleito”, e argumentou que as concessionárias teriam menos de 12 horas para mobilizar mais de 10 mil trabalhadores, “colocando em risco inclusive seu direito ao voto”.
“Vamos pedir a prisão de Ricardo Nunes”, diz Boulos após retenção de ônibus em SP
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