Após reportagem da Fórum, Ministério da Igualdade Racial pede apuração de racismo em ato de Flávio

Após reportagem da Fórum, Ministério da Igualdade Racial pede apuração de racismo em ato de Flávio
- Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Igualdade Racial acionou, neste domingo (25), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para solicitar providências na apuração de um possível crime de racismo registrado durante um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
O caso foi divulgado em primeira mão pela Revista Fórum, que divulgou imagens de um homem branco segurando uma corrente junto a um homem negro durante a manifestação realizada neste sábado (24), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Em nota oficial, o ministério classificou o episódio como um “ato racista” e repudiou a cena, na qual um homem branco vestido de verde e amarelo aparece com um homem negro de vermelho, usando chifres e uma corrente.
“Em um país que teve mais tempo de escravidão do que de regime democrático, é inaceitável que tenhamos que assistir uma pessoa negra acorrentada e humilhada”, afirmou a pasta, que relacionou a cena à violência histórica da escravidão.
Diante da gravidade do episódio, o ministério informou que encaminhou ofícios aos dois órgãos na manhã deste domingo, solicitando as medidas cabíveis para o andamento da apuração criminal. A nota não informa se um procedimento investigativo já foi formalmente instaurado.
O órgão também destacou o significado da cena no contexto eleitoral. Segundo a manifestação oficial, episódios dessa natureza evidenciam as marcas deixadas pelo período escravagista e seus efeitos persistentes na sociedade brasileira.
Imagens obtidas em primeira mão
As imagens que deram origem à denúncia foram registradas pelo jornalista francês Raphaël Bernard e divulgadas em primeira mão pela Revista Fórum, em reportagem assinada em parceria com Raony Salvador.
O vídeo mostra um homem branco segurando uma corrente junto a um homem negro com adesivos do PT e uma inscrição em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a gravação, o homem branco grita expressões como “Lula ladrão”, “Satanás” e “capiroto”.
A cena ocorreu durante a dispersão da manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro na Barra da Tijuca, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.

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