Jornalistas denunciam agressões ao investigar recusa de transporte gratuito para eleitores no Pará

Jornalistas denunciam agressões ao investigar recusa de transporte gratuito para eleitores no Pará
- Allison Sales (F)/Folhapress

Dois jornalistas do portal Cidade 091 denunciaram ter sido agredidos enquanto investigavam reclamações sobre a recusa de passagens gratuitas para eleitores em Belém, no Pará. O episódio ocorreu na sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais.
Os repórteres Lucas Contente e Gustavo Baima estavam no Porto Bom Jesus, no bairro do Jurunas, para apurar denúncias de passageiros que afirmavam enfrentar dificuldades para conseguir as passagens gratuitas previstas pelo governo estadual para o período eleitoral.
A gratuidade está prevista no Decreto Estadual nº 5.715/2026, que estabeleceu transporte intermunicipal gratuito para eleitores durante o segundo turno.
Segundo os relatos que estavam sendo investigados pela equipe, passageiros teriam recebido a informação de que os bilhetes não poderiam mais ser emitidos porque a cota destinada à gratuidade havia se esgotado.
Repórteres relatam chutes, empurrões e retirada de equipamentos
De acordo com os jornalistas, eles entrevistavam uma passageira quando um funcionário da Navegação Bom Jesus exigiu que deixassem o terminal.
A equipe afirma que parte de seus equipamentos de trabalho foi retirada e que um dos profissionais sofreu chutes e empurrões. Seguranças chamados ao local também teriam participado da abordagem e um dos repórteres acabou derrubado no chão.
Segundo o relato dos profissionais, um segurança ainda teria segurado Lucas pelo braço quando ele tentou utilizar o telefone para chamar a polícia.
Empresa apresenta outra versão
A Navegação Bom Jesus apresentou uma versão bem diferente sobre o episódio.
Em nota, a empresa afirmou respeitar a liberdade de imprensa e alegou que a intervenção da segurança ocorreu depois que um dos profissionais insistiu em acessar e filmar uma área operacional restrita, mesmo após ter sido orientado a deixar o espaço.
Segundo a companhia, a atuação dos seguranças teve como objetivo preservar a segurança dos passageiros, funcionários e da operação do terminal, sem intenção de impedir o trabalho jornalístico.
A empresa, porém, não respondeu especificamente às acusações de agressões físicas feitas pelos repórteres.
Entidades cobram investigação
O Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) repudiou o episódio e afirmou que os profissionais foram hostilizados e tiveram equipamentos retirados à força durante o trabalho.
A entidade atribuiu a ação denunciada a integrantes da segurança privada e a um diretor de operações da Navegação Bom Jesus. O sindicato também colocou sua assessoria jurídica à disposição dos jornalistas para a adoção das medidas cabíveis.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou as agressões relatadas e cobrou uma investigação rigorosa das autoridades.
A entidade destacou que os jornalistas estavam realizando uma reportagem sobre um tema de interesse público: o cumprimento da gratuidade do transporte destinada aos eleitores que precisam se deslocar para votar.
Polícia investiga
Lucas Contente e Gustavo Baima registraram boletim de ocorrência depois do episódio.
Segundo a Polícia Civil do Pará, o caso é investigado pela Delegacia do Jurunas.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e as responsabilidades pelas agressões denunciadas pelos jornalistas. Paralelamente, permanecem os questionamentos sobre a concessão das passagens gratuitas que levaram a equipe do Cidade 091 ao terminal.

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