Divisão política na família Gomes: Ivo apoia Ciro no Ceará e Lula para presidente

Divisão política na família Gomes: Ivo apoia Ciro no Ceará e Lula para presidente
Divisão política na família Gomes: Ivo apoia Ciro no Ceará e Lula para presidente 2

O ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, declarou apoio ao irmão Ciro Gomes (PSDB) para o Governo do Ceará e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República. A manifestação foi publicada no Instagram com uma arte trazendo a frase “Batendo o centro”, os nomes de Lula e Ciro e a mensagem “Lula presidente 13”.
O posicionamento acentua a divisão política na família Gomes: enquanto Ivo se alinha à oposição estadual, o senador Cid Gomes apoia a candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição. O movimento também é visto como uma forma de tirar o carimbo do bolsonarismo de Ciro Gomes.
A negociação de Ciro com André Fernandes (PL-CE) desencadeou uma guerra no clã Bolsonaro, com Michelle Bolsonaro desabonando o aval do enteado, Flávio Gomes (PL) com o neotucano Ciro Gomes.
Ivo Gomes declara apoio a Ciro e Lula
Ivo Gomes, ex-prefeito de Sobral, tornou pública sua posição política por meio de uma publicação no Instagram. Na arte compartilhada, ele associa o apoio à candidatura de Ciro ao Governo do Ceará ao voto em Lula para a Presidência da República, com a mensagem “Lula presidente 13” estampada na peça. A combinação dos dois nomes em um único post é um gesto calculado: reivindica simultaneamente o campo oposicionista no plano estadual e o campo petista no plano federal, uma equação que reflete a complexidade das alianças cearenses.

A declaração de Ivo ocorre em um cenário de divisão política que já não é novidade na família, mas que agora se aprofunda com candidaturas concretas em campos opostos. O senador Cid Gomes apoia a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), integrando a base governista ao lado do PT. Ciro, por sua vez, disputa o Governo do Ceará pela oposição em uma aliança que reúne PSDB e a Federação União Progressista, além do apoio do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A aproximação de Ciro com lideranças da direita cearense gerou reação pública de Cid. Em entrevista ao podcast Café com Verdade, do Grupo Cidade de Comunicação, o senador afirmou ter estranhado o movimento do irmão em direção a nomes como o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil). Para Cid, alianças precisam estar vinculadas a um projeto de governo, e avaliou que a oposição ainda não apresentou uma proposta clara para o Ceará. “Família é uma coisa, política é outra”, declarou o senador, acrescentando que a relação pessoal com Ciro permanece preservada.
As raízes do distanciamento político entre os dois remontam a 2022, quando divergiram sobre a definição da candidatura governista. Cid defendia que o PT, por ser a maior legenda da aliança, tivesse prioridade para indicar o candidato ao Palácio da Abolição. Ciro tinha entendimento diferente. Aquela disputa interna plantou a semente do racha que hoje se traduz em palanques separados.
Implicações políticas e próximos passos
O posicionamento de Ivo repercutiu nas redes sociais e nos bastidores da política cearense, especialmente por ter ocorrido logo após a oficialização da chapa da oposição. A Federação União Progressista homologou as candidaturas de Roberto Cláudio para vice-governador e Capitão Wagner para o Senado, consolidando a estrutura da aliança encabeçada por Ciro.
O cenário interno das legendas, porém, revela contradições. União Brasil e Progressistas aprovaram atas autorizando seus filiados a apoiar individualmente a candidatura de Elmano de Freitas ao Governo do Ceará, mesmo com o apoio oficial da federação à chapa de oposição. A liberdade concedida dentro das próprias siglas expõe a fluidez das coalizões e o quanto as lealdades partidárias no Ceará operam por lógicas locais, não por disciplina nacional.
Em outra declaração, Ivo sinalizou rompimento com Elmano, atribuindo a decisão à aproximação do Palácio da Abolição com adversários políticos seus em Sobral, como o prefeito Oscar Rodrigues e o deputado federal Moses Rodrigues, ambos do União Brasil. “Para mim, hoje, eu não tenho mais compromisso com Elmano. Nenhum compromisso”, afirmou Ivo, segundo declaração reproduzida por veículos locais. O ex-prefeito citou que o apoio prestado a Elmano em eleições anteriores gerou “imensa confusão” em sua família e que, nos momentos de maior pressão política, o governo estadual se aliou justamente aos seus críticos em Sobral.
“Nesse palanque, desse jeito, eu não estarei. Não tem a menor dúvida. Não me misturo.”
A frase resume o estado atual das relações entre Ivo Gomes e o campo governista cearense, e sinaliza que o racha familiar, longe de ser apenas simbólico, tem endereço e data para se traduzir em votos.

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