Filho de Trump compartilha post que chama Lula de “próximo Maduro” e alega fraude eleitoral

Filho de Trump compartilha post que chama Lula de “próximo Maduro” e alega fraude eleitoral
Filho de Trump, Donald Trump JR . - Donald Trump JR Foto: Gage Skidmore. CC BY-SA 4.0

O filho de Trump, o empresário Donald Trump Jr., compartilhou uma publicação que questiona a legitimidade das eleições brasileiras, acusa o processo eleitoral de manipulação e compara o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Nicolás Maduro, capturado por forças militares norte-americanas em janeiro deste ano.
A manifestação ocorreu às 20h09 de domingo (25), durante a apuração do segundo turno, antes da confirmação oficial da reeleição de Lula. O empresário repercutiu uma postagem de Martin De Luca, advogado que atuou em processos envolvendo a Trump Media & Technology Group e a plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mensagem original, De Luca atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação até as 19h, alegando, sem apresentar provas de fraude, que a medida representaria uma manipulação eleitoral em favor de Lula.
O advogado também questionou se a comunidade internacional reconheceria o resultado brasileiro e encerrou sua publicação comparando o presidente ao ex-governante venezuelano.
“O desespero chegou a tal ponto que hoje é o dia em que a máscara cai completamente e Lula se torna o próximo Nicolás Maduro?”, escreveu.
https://x.com/emd_worldwide/status/2114471038218055900
Filho de Trump repercute comparação entre Lula e Maduro
Ao compartilhar a mensagem com seus seguidores, Donald Trump Jr. não mencionou diretamente Maduro em seu próprio comentário, mas deu visibilidade à publicação que associa o presidente brasileiro ao venezuelano e coloca sob suspeita a legitimidade do processo eleitoral.
“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na grande imprensa americana perderia a cabeça”, escreveu, acusando os veículos de comunicação de permanecerem em silêncio por razões políticas.
https://x.com/donaldjtrumpjr/status/2114494630557560937
A comparação com Maduro ocorre em um contexto especialmente sensível. Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, posteriormente levados a território norte-americano.
A operação foi ordenada pelo governo Donald Trump e provocou questionamentos internacionais sobre a soberania venezuelana e a legalidade da intervenção militar.
A publicação compartilhada por Trump Jr. não anuncia uma operação semelhante contra o Brasil, mas a referência ao “próximo Maduro”, feita após a captura do venezuelano, amplia o significado político da comparação.
Acusação ignora que Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação
O questionamento reproduzido pelo filho de Trump omite um dado importante: a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário derrotado por Lula, também solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação no segundo turno.
O pedido do senador abrangia municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de chuvas, alagamentos, interdições e problemas de energia elétrica. A campanha petista, por sua vez, alegou dificuldades no transporte de eleitores, incluindo redução de frotas de ônibus, e pediu a ampliação nacional do horário.
A decisão inicial de Zanin determinou a extensão da votação até as 19h em todo o país. Como diversas urnas já haviam sido encerradas, o próprio ministro esclareceu posteriormente que a medida se aplicaria somente às seções que permaneciam abertas.
Em nota oficial divulgada no domingo, o TSE confirmou essa interpretação e informou que a totalização dos votos seria retomada após as 19h.
O presidente da Corte Eleitoral, Kassio Nunes Marques, reconheceu que a medida inédita provocou dificuldades operacionais e exigiu adaptações na apuração. Apesar dos problemas, o tribunal concluiu a totalização e anunciou oficialmente o resultado do segundo turno.
Um levantamento independente divulgado pela Fórum, elaborado a partir dos logs públicos das urnas, identificou que apenas 0,03% dos votos analisados foram registrados depois das 17h. Os dados não constituem auditoria oficial, mas oferecem uma dimensão quantitativa da votação posterior ao horário originalmente previsto.
Lula vence por mais de 4,4 milhões de votos
O resultado oficial anunciado pelo TSE confirmou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou a disputa com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos. A vitória de Lula foi considerada matematicamente definida às 21h08 de domingo, quase uma hora depois da manifestação de Donald Trump Jr.
Apesar do resultado, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende solicitar judicialmente a anulação das eleições, questionando a prorrogação do horário de votação.
Até a manhã desta segunda-feira (26), Donald Trump não havia feito pronunciamento público sobre a reeleição de Lula. Antes da votação, o presidente norte-americano declarou que acompanhava de perto a disputa brasileira, sem manifestar oficialmente apoio a um dos candidatos.

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