O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República, em evento realizado em Brasília após convenção nacional da legenda conduzida virtualmente. Zema declarou reunir “todas as credenciais” para o cargo e se posicionou como alternativa à polarização entre PT e PL, mas seu discurso de lançamento foi marcado por ataques ao governo Lula, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e propostas de endurecimento penal que ecoam pautas da direita radical.
Sem vice definido, Zema poupou Flávio Bolsonaro, com quem deve formar aliança em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Zema se posiciona contra a polarização
O anúncio contou com a presença do presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, e foi precedido por convenção nacional realizada de forma virtual, que aprovou o nome de Zema por unanimidade. Em seu discurso, o ex-governador agradeceu o apoio da legenda e não poupou autoconfiança: “Eu me considero com todas as credenciais. Modéstia à parte, até mais do que os meus concorrentes”, afirmou.
O posicionamento como alternativa à polarização é a aposta central da campanha. Zema argumentou que “o brasileiro está cansado da polarização” e citou sua própria trajetória em Minas Gerais como prova de que é possível vencer sem se filiar ao eixo PT-PL. A estratégia, no entanto, convive com um discurso que, ao longo da mesma convenção, mirou explicitamente o PT e o STF, dois dos alvos favoritos da direita mais radical no país.
Promessas
Zema prometeu “acabar com a farra dos intocáveis”, expressão que usou para criticar o Supremo Tribunal Federal e autoridades que, segundo ele, escapam de responsabilização. Para o STF, apresentou três propostas concretas: idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, criação de lista tríplice para a escolha dos nomes e fim das decisões monocráticas em temas já analisados pelo Congresso Nacional.
Na área de segurança pública, o candidato propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas e construir um “superpresídio” em local remoto, “de preferência no meio da Amazônia”, para onde seriam transferidos líderes do crime organizado, que “vão mofar por pelo menos 25 anos”, segundo ele. O pacote de promessas incluiu ainda combate à corrupção, redução de privilégios no setor público, ampliação de privatizações, criação de ambiente mais favorável a empreendedores e revisão do modelo de emendas parlamentares. São propostas que, em conjunto, compõem uma agenda liberal-conservadora com tonalidade de confronto institucional, especialmente no que diz respeito ao Judiciário.
Bandeira: ser anti-PT
“Minha bandeira é estar contra o PT”, declarou Zema durante a convenção, sem rodeios. O ex-governador afirmou ter “visto o PT destruir seu estado” e atribuiu à crise fiscal de Minas Gerais durante a gestão petista o impulso que o levou à vida pública. “Ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT. Ninguém. No passado, foi Mensalão, Petrolão, mala de dinheiro, Lava Jato e agora estamos aí, Banco Master e desconto dos velhinhos”, disse, misturando escândalos de governos distintos numa mesma lista de acusações.
O ponto mais contraditório da estratégia é a insistência no rótulo de “outsider”. Zema afirmou ser um nome “de fora” da política tradicional e o único candidato que conhece o “Brasil real”, apesar de ter exercido quase oito anos de mandato como governador de um dos maiores estados do país. A campanha aposta na reprodução do discurso anti-establishment que funcionou em eleições anteriores, ignorando que a trajetória acumulada desde 2018 o coloca, objetivamente, dentro do sistema que diz combater. “Problema não é que falta recurso, problema é que sobra ladrão”, resumiu, numa frase que sintetiza o tom populista adotado para mobilizar o eleitorado descontente.
Busca por vice
A chapa de Zema chega ao lançamento sem vice definido. O candidato afirmou que a escolha ocorrerá até 5 de agosto, prazo legal estabelecido pelo TSE. Nos bastidores, o Democracia Cristã (DC) procurou o Novo no último fim de semana para sondar a possibilidade de o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa integrar a chapa como vice. Houve uma conversa telefônica entre Zema e Barbosa, descrita por fontes como “positiva” e “animadora”. A eventual parceria seria uma tentativa de agregar credibilidade institucional a uma candidatura que, ao mesmo tempo, propõe reformas estruturais no próprio tribunal do qual Barbosa fez parte.
Nas pesquisas, o cenário é desafiador: levantamento Nexus/BTG divulgado na mesma segunda-feira coloca Zema em quinto lugar, com 3% das intenções de voto. O candidato minimizou o resultado, argumentando que os brasileiros costumam se engajar nas eleições apenas às vésperas do pleito. Em relação a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também candidato ao Planalto e herdeiro político de Jair Bolsonaro, a quem Zema apoiou em eleições anteriores, o ex-governador optou pela cautela. Questionado por jornalistas, evitou críticas diretas: “O que eu tinha para falar sobre o candidato eu já disse, já me manifestei.” O distanciamento se intensificou após os desgastes na campanha de Flávio envolvendo o caso do Banco Master, sinalizando um reposicionamento tático que ainda não se traduziu em crescimento nas pesquisas.
Zema afaga Flávio e dispara ataques contra o PT e STF ao oficializar candidatura presidencial
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!