Apontada como uma das culpadas pela derrota de Flávio, Daniella Marques se pronuncia sobre fracasso nas urnas

Apontada como uma das culpadas pela derrota de Flávio, Daniella Marques se pronuncia sobre fracasso nas urnas
Daniella Marques - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)

Apontada por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) como uma das responsáveis pela derrota do senador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Daniella Marques se pronunciou nesta segunda-feira (26), um dia após o segundo turno. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que coordenou a área econômica da candidatura bolsonarista, publicou uma série de mensagens nas redes sociais, nas quais defendeu sua atuação na campanha e mencionou um suposto “processo conturbado”.
“Como mãe, mulher e, acima de tudo, brasileira, me doei de corpo e alma por acreditar que podemos mudar o nosso Brasil”, escreveu Daniella no X.
Sem reconhecer explicitamente a derrota de Flávio ou parabenizar Lula pela reeleição, a economista afirmou que os problemas nacionais permanecem, citando insegurança, juros altos e endividamento das famílias.
“Como brasileira, também espero que as perguntas que surgiram ao longo desse processo conturbado sejam respondidas com seriedade. O Brasil merece transparência, respeito e confiança nas instituições”, declarou, sem esclarecer a quais questionamentos se referia.
Daniella encerrou a manifestação defendendo que “o Brasil precisa de paz”, agradecendo as mensagens de apoio e afirmando confiar em Deus.
Daniella Marques no X: “Como mãe, mulher e, acima de tudo, brasileira, me doei de corpo e alma por acreditar que podemos mudar o nosso Brasil.” / X
De aposta econômica a alvo da campanha
O pronunciamento ocorre em meio à busca por culpados pela derrota no próprio bolsonarismo. Aliados de Flávio responsabilizam Daniella por declarações que teriam prejudicado a candidatura na reta final da disputa.
O desgaste já era evidente antes das urnas. Ao jornal Correio Braziliense, integrantes da campanha chegaram a defender que era necessário tirar a economista de circulação, classificando suas entrevistas como um “prejuízo eleitoral”. Outros nomes, como Duda Lima, Pablo Marçal, Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, também entraram na lista de responsabilizados pela derrota.
Bolsa Família e inteligência artificial provocaram desgaste
Duas declarações de Daniella estiveram no centro da crise. Uma delas foi a defesa da substituição gradual de servidores públicos por inteligência artificial, em vez da realização de novos concursos para repor aposentadorias. A proposta provocou reações negativas entre trabalhadores do funcionalismo.
Outra polêmica envolveu o Bolsa Família. Em entrevista à CBN Bahia, em 19 de outubro, Daniella defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, afirmou.
Embora a proposta previsse o retorno ao benefício caso a nova fonte de renda não se sustentasse, o discurso reforçou o temor de que um eventual governo Flávio Bolsonaro promovesse a desidratação progressiva do programa, com risco de descaracterização da política de transferência de renda. A leitura ganhou força diante do histórico do próprio senador, que já havia chamado o número de beneficiários do Bolsa Família de motivo “para se envergonhar” e se referido ao programa como “bolsa farelo”.
Além dessas controvérsias, Daniella defendeu um amplo “tesouraço” nas contas públicas, com redução de ministérios e corte de mais de 22 mil cargos comissionados, sem apresentar um detalhamento completo da economia prevista.
Agora, após a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio, a economista passou de uma das principais apostas da candidatura bolsonarista a alvo das críticas internas. Em sua primeira manifestação após o resultado, porém, evitou comentar as acusações dos próprios aliados.

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