O Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (27) recebeu o candidato a deputado estadual por São Paulo Leonardo Grandini (PT) para falar sobre o cenário político atual, a relação dos jovens com a política, o avanço da extrema direita e a presença da esquerda nas redes sociais. Em relação à relação da juventude com a política, Grandini destacou que a esquerda precisa renovar seu discurso e sua representatividade para atrair os jovens desacreditados, que muitas vezes são cooptados pela extrema direita.
Grandini, que tem 24 anos, afirma que tem identificado uma juventude cada vez mais despolitizada e sem abertura para qualquer debate político porque passou a enxergar a política como o problema da sua vida.
“Eu vejo uma juventude, em sua maioria, que não é nem de direita. É uma juventude, de fato, desinteressada, despolitizada, que não tem interesse, que não tem mais tesão nisso, que enxerga a política não como solução, mas como o problema da vida dela”, afirma.
“Essa juventude está desmobilizada, não tem interesse. O cara tem que trabalhar numa escala 6×1, a menina tem que trabalhar no shopping, também 6×1 e ainda arruma algum tempo para fazer um curso. Chega em casa, só paga imposto, porque, de fato, o pobre paga muito imposto no Brasil. Então, ele enxerga tudo isso como a política e está muito desmobilizado”, exemplifica o candidato.
Grandini acrescenta que, mesmo que indiretamente, essa juventude se alimenta de um discurso antipolítico que interessa a extrema direita que, muitas vezes, consegue atrair esse jovem.
O candidato lamenta que, por outro lado, os jovens que estão mobilizados, especialmente os meninos, são muito conservadores. Ele explica que isso acontece porque apesar da juventude sempre ter um caráter “disruptivo e revolucionário”, essa “revolta” está sendo canalizada pela extrema direita porque a nova geração de jovens cresceu nos governos do PT, o que faz com que eles enxerguem quetodos os problemas do Brasil são culpa do partido.
“A gente desconhece o PT enquanto oposição, só na época do Temer e do Bolsonaro. Mas a gente cresceu sendo o PT-situação. E quando você cresce com um partido sendo situação, você identifica que todos os problemas do Brasil são oriundos desse governo. E aí, qual que é a novidade? A novidade que conseguiu se viabilizar foi a extrema direita”, ressalta Grandini.
“Então, o bolsonarismo em 2018, em 2017, enquanto fenômeno, no pós-golpe, conseguiu angariar. Sempre vai surgir uma coisa nova, porque a juventude quer essa novidade. A questão é como a gente também se renova, apresenta um discurso novo. Porque mesmo essa juventude que está revoltada e não vai para o bolsonarismo, vai para uma esquerda antipetista, uma esquerda que se apresenta como novidade. Então a gente tem que ter esse discurso”, acrescenta o candidato.
Ele finaliza afirmando que esse cenário o preocupa muito enquanto petista, uma vez que a bancada mais velha em termos de idade na Câmara dos Deputados é do PT e, portanto, o partido precisa renovar seus candidatos.
Esquerda precisa mudar dinâmica para engajar nas redes sociais
Grandini também debateu sobre como a extrema direita ainda se destaca muito mais nas redes sociais do que a esquerda. Ele avalia que o campo progressista tem melhora, mas que de fato tem um atraso de pelo menos dez anos nessa incidência no ambiente digital.
“Eu fico muito feliz que tenham surgido diversos comunicadores à esquerda que vêm cumprindo um papel fundamental nas redes sociais”, diz. “Mas, ainda assim, a gente tem que entender algumas questões”, pontua.
Ele cita como a primeira questão a discrepância entre os políticos considerados mais influentes do Brasil. De acordo com o levantamento “Top 100 Políticos Brasileiros Mais Influentes no Instagram em 2026”, entre os 100 políticos mais influentes nas redes sociais, 91 são de direita e somente 9 são de esquerda.
“Isso é bizarro. Isso é voto? Não, mas é uma nova realidade. E é voto também, porque as redes elegem os seus. E o voto de base, de território, é um voto que está ficando cada vez mais caro e cada vez mais difícil de controlar. Então, a gente tem que ocupar a rede até para fins eleitorais. Inclusive para fins eleitorais”, ressalta Grandini.
Ele pontua que, nesse cenário, é importante entender que as big techs têm lado que favorece a direita e a extrema direita. Portanto, partindo disso, ele destaca que o Brasil precisa urgentemente criar mecanismos legais para frear as big techs.
“A gente precisa criar legislações claras a fim de que ao menos as big techs respeitem critérios pré-estabelecidos legalmente“, diz.
Outro ponto de destaque para Grandini é que a direita tem mais dinheiro e, portanto, paga influenciadores para engajarem nas redes sociais a favor do campo político.
No entanto, o candidato também ressalta que parte desse cenário é culpa da esquerda que não entendeu as ferramentas e a linguagem que precisam ser utilizadas no ambiente digital.
“Eu, por exemplo, sou muito criticado por gente de esquerda, que critica os meus métodos. E quais são os meus métodos? É ir pra Paulista, com a camisa do Brasil, colocar uma banquinha e falar ‘te faço um pix de mil reais se você me convencer que o Flávio Bolsonaro não é bandido’. E aí eu discuto nos debates, chamo o Bolsonaro de vagabundo. Mas existe uma esquerda que fala ‘nossa, mas você está falando palavrão, você está usando o mesmo modus-operandi da extrema direita, a mesma linguagem’. Mas por que será que isso funciona? Porque a linguagem funciona. O formato funciona”, afirma Grandini.
Ele finaliza afirmando que não é preciso empobrecer o debate, mas é preciso criar outra dinâmica para ocupar o espaço das redes sociais.
Confira a entrevista completa do candidato Leonardo Grandini
TV Fórum: Esquerda precisa se renovar para atrair juventude desacreditada com a política, diz Leonardo Grandini
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