O senador e candidato derrotado ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o território nacional clandestinamente e fugiu para os EUA ao lado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. A informação da fuga e os detalhes da operação foram revelados pelo portal Metrópoles.
Com a viagem não autorizada realizada em descumprimento ostensivo a ordens expressas proferidas pelo Judiciário, o parlamentar passa a ser considerado oficialmente um foragido da Justiça, somando mais um capítulo vexaminoso às investidas do clã para se esquivar de responsabilizações criminais.
Confirmação vinda de Michelle Bolsonaro
A confirmação definitiva da saída do senador do país veio diretamente de dentro do núcleo familiar. Diante do sumiço repentino do congressista ao longo desta terça-feira (27), aliados e correligionários preocupados com o paradeiro de Flávio procuraram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).
Segundo apurado pela apuração do Metrópoles, Michelle confirmou explicitamente a pelo menos dois interlocutores políticos próximos que seu enteado havia de fato abandonado o Brasil com destino à América do Norte.
A ratificação feita por Michelle pôs fim às especulações que circulavam nos bastidores do Congresso Nacional sobre um eventual isolamento temporário do parlamentar e escancarou o caráter definitivo e planejado de sua partida para o exterior.
Operação de fuga articulada no sigilo
Longe de ser um movimento improvisado de última hora sem amparo logístico, a partida de Flávio Bolsonaro desdobrou-se como uma operação minunciosamente coordenada. O plano foi traçado no mais estrito sigilo por uma rede restrita de aliados e operadores políticos situados tanto no Brasil quanto nos EUA, com o objetivo primordial de impedir que qualquer vazamento alertasse os órgãos de inteligência da Polícia Federal ou o Supremo Tribunal Federal.
A divisão de tarefas entre os colaboradores foi estratégica:
Aliados no Brasil: Ficaram encarregados de viabilizar a logística imediata de saída, cuidando do transporte, rotas e da checagem de horários para garantir que o embarque da família ocorresse sem o conhecimento das autoridades competentes.
Rede nos EUA: Atuou para organizar o acolhimento do senador em solo norte-americano, providenciando suporte legal preliminar e garantias formais para a recepção da comitiva familiar no desembarque.
A estimativa das fontes que acompanham a movimentação é de que a aeronave transportando a família Bolsonaro pouse no estado da Flórida ainda na tarde desta terça-feira (27).
Pedido de asilo político e articulação com a gestão Trump
O movimento de Flávio Bolsonaro nos EUA tem como pilar central a busca por blindagem diplomática e política. Conforme revelado por aliados do senador ao Metrópoles, o parlamentar formalizará, assim que desembarcar na Flórida, um pedido oficial de asilo político direcionado ao governo dos EUA, chefiado pelo presidente Donald Trump.
A equipe que apoiou a evasão de Flávio assegurou que integrantes da administração de Donald Trump já foram previamente notificados sobre a chegada do político brasileiro e sobre o pleito de proteção internacional. A aposta da defesa do senador baseia-se na proximidade ideológica e nas alianças históricas construídas entre a família Bolsonaro e setores da extrema direita conservadora norte-americana para tentar travar eventuais pedidos de extradição que venham a ser formulados pela Justiça brasileira.
Encontro com Eduardo Bolsonaro na Flórida e reunião do clã
Na Flórida, reduto conhecido de acolhimento a apoiadores da família no exterior, Flávio será recebido por uma rede de bolsonaristas radicados nos EUA. O reencontro familiar já tem data marcada: a previsão é que seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), viaje para a Flórida nesta quarta-feira (28) para se juntar ao senador e alinhar os próximos passos da estratégia de “defesa” e “comunicação política” no exterior.
Com a reunião dos irmãos em solo estadunidense, a família reativa a tática de usar o território estrangeiro como base para narrativas de perseguição política e para evitar o cumprimento de determinações judiciais impostas em Brasília.
Contexto: Cerco judicial e a perda das urnas
A decisão de deixar o país ocorre imediatamente após a consolidação da derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial, realizado no domingo (25). A perda do pleito acelerou a deterioração da situação jurídica de Flávio Bolsonaro.
O parlamentar é alvo central de investigações que apuram uma série de condutas ilícitas, incluindo:
Esquemas de lavagem de dinheiro e organização criminosa;
Uso ilícito de estruturas públicas para favorecimento pessoal e familiar;
Inquéritos que tramitam no STF relativos a atos contra as instituições democráticas.
Na própria noite de domingo, antecipando o risco de fuga, o ministro Alexandre de Moraes proferiu uma decisão cautelar determinando o recolhimento imediato de todos os passaportes de Flávio Bolsonaro e decretando a proibição expressa de saída do país. O prazo final para a entrega voluntária dos documentos era justamente esta terça-feira (27).
Ao optar pela viagem clandestina em vez da entrega dos passaportes, Flávio Bolsonaro consumou a infração à ordem judicial direta, convertendo sua situação processual de investigado sob medidas cautelares para a de foragido da Justiça brasileira.
Até o momento, os órgãos de controle, a Polícia Federal e o STF avaliam o acionamento dos mecanismos de cooperação internacional e a inclusão do nome do senador na difusão vermelha da Interpol para invalidar a tentativa de refúgio no exterior.
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