Gustavo Schiphorst, de 21 anos, assessor de Jair Renan Bolsonaro (PL), é acusado de participar do espancamento do próprio primo, Marcelo Ribeiro Delgado Júnior, de 28 anos, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições de domingo (25). A agressão denunciada ocorreu no bairro Vargem Pequena, em Florianópolis, Santa Catarina.
Documentos obtidos pela Fórum, entre eles boletim de ocorrência, prontuários médicos e uma decisão judicial, detalham a denúncia apresentada pela família, os ferimentos sofridos por Marcelo e as medidas protetivas concedidas pela Justiça catarinense.
O vínculo de Gustavo com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está confirmado no Portal da Transparência da Câmara de Balneário Camboriú. A folha de setembro de 2026 identifica o jovem como assessor parlamentar lotado no gabinete de Jair Renan Valle Bolsonaro.
Segundo os registros oficiais, Gustavo ocupa um cargo comissionado desde 16 de julho de 2026, com jornada de 200 horas mensais. Sua situação funcional aparece como “trabalhando”.
Garrafas de vidro e espancamento após a eleição
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na 7ª Delegacia de Polícia da Capital, o episódio aconteceu por volta das 21h30 de domingo (25), depois da divulgação do resultado das eleições presidenciais.
Alicia Garcez, esposa de Marcelo, relatou à Polícia Civil que Gustavo e Lucas Ferreira Amorim, de 23 anos, amigo do assessor, começaram a arremessar garrafas de vidro contra a residência do casal, quase atingindo seus filhos.
Ao perceber o que estava acontecendo, Marcelo foi até a casa dos vizinhos para pedir que interrompessem os ataques. Segundo o relato, ele acabou sendo agredido por Gustavo, Lucas e pelos pais do assessor, Michel Schiphorst, de 44 anos, e Camila Braun Schiphorst, de 41.
Camila e Michel são tios de Marcelo. As famílias vivem em casas separadas no mesmo terreno, com áreas de circulação compartilhadas.
Alicia afirmou que o marido sofreu ferimentos graves no braço e recebeu golpes de garrafa de vidro na cabeça, além de outras agressões. Ela também relatou ter sido agredida ao tentar proteger Marcelo e interromper a violência.
A ocorrência foi registrada em 27 de outubro, às 14h19, e classificada inicialmente pela Polícia Civil como lesão corporal dolosa consumada. Gustavo, Lucas, Michel e Camila aparecem no documento na condição de suspeitos.
O caso foi denunciado publicamente pelo vereador Leonel Camasão (PSOL), que divulgou as acusações e cobrou a responsabilização dos envolvidos.
https://x.com/camasao50/status/2115229937028248040
Hospital confirma fratura grave e necessidade de cirurgia
Os prontuários do Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, confirmam que Marcelo precisou de atendimento médico após a agressão relatada.
Ele deu entrada na unidade às 21h55 de domingo (25). O primeiro registro, realizado às 22h22, descreve o paciente como vítima de espancamento em via pública, apresentando hematoma na região frontal da cabeça e deformidade no braço esquerdo.
A avaliação da equipe de ortopedia identificou uma fratura cominutiva do úmero esquerdo, classificada como AO 12C3, além de dor e crepitação na região atingida.
A fratura cominutiva ocorre quando o osso se rompe em múltiplos fragmentos. No caso de Marcelo, os médicos indicaram tratamento cirúrgico e recomendaram acompanhamento especializado.
O paciente permaneceu em observação, passou por exames de controle e recebeu orientações para o retorno ao ambulatório de traumatologia.
Na terça-feira (27), um novo registro hospitalar documentou seu encaminhamento para exames pré-operatórios.
A denúncia divulgada nas redes sociais menciona três fraturas no braço. O prontuário médico registra uma fratura cominutiva grave, com o osso partido em vários fragmentos.
Justiça concede medidas protetivas contra assessor de Jair Renan e seus pais
Na terça-feira (27), o Juizado de Violência Doméstica contra a Mulher da Comarca da Capital concedeu medidas protetivas em favor de Alicia, Marcelo e seus filhos.
A decisão, proferida no processo nº 5088672-73.2026.8.24.0023, determina que Gustavo Schiphorst, Camila Braun Schiphorst e Michel Schiphorst mantenham distância mínima de 200 metros das vítimas.
Os três também estão proibidos de estabelecer contato com a família por qualquer meio de comunicação e de frequentar locais onde as vítimas estejam presentes, incluindo residência, trabalho, igreja e academia.
A Justiça ainda proibiu os envolvidos de bloquear a passagem comum do terreno ou impedir que Marcelo, Alicia e os filhos tenham livre acesso à própria residência.
Como os familiares moram no mesmo terreno, a decisão esclarece que as restrições não impedem Gustavo e seus pais de permanecerem em sua própria casa. Eles, entretanto, devem respeitar a proibição de aproximação e contato com as vítimas.
Lucas Ferreira Amorim, embora identificado como suspeito no boletim de ocorrência, não consta entre os destinatários das medidas protetivas.
As determinações foram concedidas com fundamento na Lei Maria da Penha e permanecem vinculadas à situação de risco. O descumprimento pode resultar em responsabilização criminal.
Outro suspeito trabalha na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Além do assessor de Jair Renan, outro suspeito identificado pela Polícia Civil mantém vínculo com o Poder Legislativo catarinense.
Lucas Ferreira Amorim consta na relação oficial de estagiários da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), com lotação na Coordenadoria da Escola do Legislativo.
O registro público confirma seu vínculo com a Assembleia, mas não indica relação funcional com o gabinete de Jair Renan.
Gustavo, por sua vez, mantém o perfil @gustavoporfloripa no Instagram, no qual divulga atividades políticas e faz referências ao PL Jovem de Florianópolis.
Em uma publicação conjunta com a organização partidária, o assessor aparece vestindo uma camisa amarela com o número 22, utilizado pelo Partido Liberal. A postagem, feita no dia da votação, traz a mensagem: “Hoje é o dia. Vamos aposentar o PT”.
Violência política após a derrota de Flávio Bolsonaro
A denúncia ocorre em meio a uma sequência de episódios de violência política registrados durante o segundo turno das eleições presidenciais.
A Fórum reuniu casos de mortes, agressões e ameaças contra apoiadores de Lula durante o segundo turno. Os episódios incluem denúncias de ataques em diferentes estados, em meio à disputa entre o petista e Flávio Bolsonaro.
No caso de Florianópolis, a Polícia Civil deverá apurar a participação individual de cada suspeito, as circunstâncias das agressões e a possível motivação política do episódio.
O boletim de ocorrência também informa que a residência de Michel Schiphorst possui câmeras de monitoramento que podem ter registrado os acontecimentos.
As medidas protetivas concedidas pela Justiça têm caráter preventivo e não representam condenação criminal.
Assessor de Jair Renan é acusado de espancar primo após vitória de Lula
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