Menos de 48 horas após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e, ao chegar ao território norte-americano, divulgou uma carta de cunho golpista.
Em um texto repleto de alegações sem comprovação, Flávio Bolsonaro atacou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acusou o órgão, presidido por Kassio Nunes Marques, ministro indicado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de “fraudar as eleições”.
O momento mais grave da carta ocorreu quando Flávio Bolsonaro se autoproclamou presidente eleito do Brasil, em uma atitude de contestação ao resultado das urnas.
No entanto, Flávio não sustentou sua autodeclaração por sequer 30 minutos. Pouco depois da divulgação do documento, retirou a afirmação de que era o “presidente eleito” e a substituiu pela expressão “líder do Brasil”.
Apesar da gravidade da declaração, a autoproclamação do candidato derrotado rapidamente virou motivo de chacota nas redes sociais. Entre as personalidades que ironizaram o episódio está a cantora Anitta.
Em uma série de stories publicados em seu perfil no Instagram, Anitta debochou da atitude de Flávio Bolsonaro e afirmou que, a partir desta quarta-feira (28), também havia decidido se autodeclarar uma mulher sem celulite.
“Hoje eu vim aqui me autodeclarar sem celulite. O que eu tenho vivido nos últimos momentos da minha vida é um golpe, porque eu treino!”
https://x.com/centralreality/status/2115567706439381377
Trump reage à carta golpista de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta de teor golpista na qual se autoproclamou “presidente eleito” do Brasil.
Pouco tempo depois, Flávio Bolsonaro editou o documento divulgado e retirou a afirmação de que era o “presidente eleito” do Brasil. Limitou-se a afirmar que será o líder da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
De resto, a carta de Flávio Bolsonaro é baseada em alegações sem comprovação, como a de que o Brasil vive um regime de exceção e a de que ele é um “perseguido” político.
Sem apresentar provas, Flávio acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de “fraudar a eleição”.
Trump reage à carta de Flávio Bolsonaro
Horas depois de Flávio Bolsonaro divulgar sua carta golpista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado por jornalistas sobre sua opinião a respeito do fato de o senador ter se autoproclamado presidente do Brasil.
Trump voltou a lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, mas afirmou que não pretende se envolver na situação de Flávio Bolsonaro:
“Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certeza.”
https://x.com/centralreality/status/2115554186095935802
Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito e agradece a Trump e Milei
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25), divulgou um pronunciamento no qual se apresenta como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, acusa a Justiça Eleitoral de fraude e anuncia que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
Flávio deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes e proibir sua saída do país. O senador chegou nesta quarta-feira (28) a Miami, acompanhado da esposa e das filhas.
No documento, Flávio Bolsonaro agradeceu aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento de sua família.
“Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, declarou.
Flávio Bolsonaro não reconhece derrota para Lula
No pronunciamento, o senador afirma que a eleição presidencial foi fraudada e acusa o Supremo Tribunal Federal de interferir ilegalmente no processo eleitoral.
Flávio questiona a decisão judicial que prorrogou o horário de votação e sustenta que Lula teria recebido mais de 10 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno.
O parlamentar também acusa o governo de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.
As acusações de fraude eleitoral apresentadas por Flávio Bolsonaro não vieram acompanhadas de provas que comprovem a adulteração do resultado das eleições. O próprio Partido Liberal (PL) reconheceu a vitória de Lula.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”
Flávio Bolsonaro também procurou justificar sua saída do país, afirmando que estaria sendo vítima de perseguição política e judicial.
O senador declarou que decidiu levar sua família aos Estados Unidos por considerar que não teria segurança jurídica no Brasil.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, afirmou.
Em outro trecho, Flávio agradeceu diretamente ao governo norte-americano.
“Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.”
O senador também afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e classificou as investigações judiciais como uma tentativa de perseguição política.
Senador anuncia que vai liderar oposição dos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.
No documento, ele dirigiu uma mensagem aos parlamentares e governadores que ajudou a eleger, com uma referência especial ao senador Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
O senador também comparou sua situação à de personagens históricos que atuaram politicamente fora de seus países, citando Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí.
Flávio mencionou ainda opositores do governo venezuelano, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Ao se dirigir aos eleitores, o parlamentar afirmou que continuará mobilizando seus apoiadores e que pretende apresentar uma estratégia para a atuação da oposição.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.”
Flávio Bolsonaro encerrou o pronunciamento com a frase: “Que Deus abençoe o Brasil.”
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2115538982012682337
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