O pastor e empresário Márcio Poncio, conhecido como “pastor do cigarro”, voltou à mira da Polícia Federal nesta quinta-feira (29), na nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado à organização criminosa atribuída ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Preso em julho e atualmente em regime domiciliar, Poncio tem relações com figuras da política fluminense, já apareceu ao lado de Jair Bolsonaro (PL) e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022.
A nova operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Três dos endereços estão vinculados ao empresário.
Pastor Marcio Poncio (Reprodução / Youtube)
Do mercado de cigarros à política
Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Poncio construiu sua trajetória empresarial no setor de tabaco, onde chegou a controlar uma distribuidora de cigarros.
O empresário também ganhou projeção nas redes sociais como patriarca da família Poncio, conhecida pela atuação dos filhos Sarah e Saulo como influenciadores digitais.
Em 2022, candidatou-se a deputado federal pelo Pros, recebeu 33.364 votos e ficou na suplência. Na declaração à Justiça Eleitoral, informou patrimônio pouco superior a R$ 1 milhão, segundo o Congresso em Foco.
A família também mantém presença na política fluminense. Sua filha Sarah Poncio chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) como suplente pelo Solidariedade e declarou apoio a Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2022.
O próprio pastor já apareceu em registros ao lado do ex-presidente e defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A ligação com Rodrigo Bacellar
Uma das conexões políticas identificadas pela Polícia Federal envolve o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar.
Segundo reportagem da revista Veja, investigadores encontraram no celular do ex-parlamentar um contato salvo como “Pastor Márcio Poncio”, vinculado a um número internacional.
Em 9 de junho de 2025, o pastor teria enviado uma mensagem a Bacellar pedindo desculpas por uma ligação. Posteriormente, o aplicativo foi configurado para apagar automaticamente novas mensagens após sete dias.
Bacellar também foi alcançado pelas investigações da Operação Unha e Carne, que apura conexões entre organizações criminosas, agentes públicos e estruturas empresariais no Rio de Janeiro.
Suspeitas de lavagem de dinheiro
Para a Polícia Federal, Poncio pode ter desempenhado papel relevante na estrutura econômica vinculada ao mercado clandestino de cigarros.
A investigação busca esclarecer se recursos provenientes da produção e comercialização de cigarros clandestinos ou falsificados foram posteriormente movimentados por mecanismos de ocultação patrimonial.
A nona fase da operação foi desencadeada após a análise de informações extraídas de um aparelho celular apreendido anteriormente.
Segundo os investigadores, os novos elementos apontam para uma rede de imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas, inclusive no exterior. A PF também apura a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para ocultar a verdadeira titularidade de bens.
Quem é Márcio Poncio, pastor ligado a Bolsonaro investigado pela PF por lavagem de dinheiro
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!