O jatinho Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, usado na fuga de Flávio Bolsonaro (PL), da esposa Fernanda Bolsonaro e de duas filhas do casal para os EUA, foi contratado por um corretor de viagens dos Estados Unidos, que teria ligado para a Baires Fly de um telefone próximo a Santiago Caputo, assessor especial do presidente argentino Javier Milei. A viagem teria custado US$ 140 mil e quem pagou continua um mistério.
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As informações foram divulgadas pelo jornal argentino La Nación, que afirma ainda que o assessor de Milei estava no Aeroporto de Cataratas do Iguaçu, em Puerto Iguazú, durante o embarque de Flávio Bolsonaro e família, na noite de terça-feira (27), e a decolagem da aeronave, à 0h21 de quarta-feira (28). Após escala em Guayaquil, no Equador, o jato aterrissou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka por volta das 10h30 do mesmo dia.
Segundo o jornal argentino, o corretor de aviação estadunidense entrou em contato com um executivo da Baires Fly, que estava nos EUA, na tarde de segunda-feira (26), dizendo, inicialmente, que precisava de um avião naquela mesma noite em Foz do Iguaçu para transportar “oito passageiros brasileiros”.
Sem conhecer o corretor, a empresa teria exigido o pagamento antecipado do valor, e os US$ 140 mil foram transferidos rapidamente para o pagamento do voo de ida para Miami.
Corrida contra o tempo
Em duas horas, a tripulação se deslocou para o Aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires, para levar a aeronave até Puerto Iguazú. O jatinho chegou à cidade, que faz fronteira com o Brasil, às 23h45 de segunda-feira. O voo estava inicialmente previsto para as 2h de terça-feira (27).
Flávio Bolsonaro já estaria de posse do passaporte italiano — visto que o documento brasileiro era alvo de pedido de apreensão. A Itália faz parte do programa de isenção de vistos nos EUA. No entanto, o senador precisava ter tirado uma autorização eletrônica de viagem, obtida online, e que deve ser solicitada com 72 horas de antecedência.
Sem o documento, a tripulação teria recebido uma mensagem da empresa: “Não vai acontecer, vão para o hotel”. O piloto e os tripulantes só retornariam ao aeroporto na tarde de terça-feira, já sob especulações de que Flávio Bolsonaro já teria partido para os EUA.
A ordem foi para que esperassem dentro da aeronave devido às especulações sobre uma possível “operação distração”, que teria sido orquestrada dos Estados Unidos — possivelmente sob articulação de Eduardo Bolsonaro, segundo apurações da Fórum. A ação envolveria aliados do senador e até porta-vozes dentro do governo Milei, na Argentina.
“Eles estão vindo, eles estão vindo”, disse o contratante dos EUA à empresa, segundo o La Nación, em vários momentos do dia. Segundo o jornal argentino, o nome do corretor consta na fatura de contratação do voo. A Baires Fly, no entanto, teria dito que “não divulgaremos o nome a menos que sejamos obrigados pela Justiça”.
À espera de Flávio Bolsonaro
O jato permaneceu estacionado e sem plano de voo, com o piloto e os tripulantes no aguardo de Flávio Bolsonaro e família. Eles foram levados por uma SUV branca, com placas do Brasil, que atravessou a Ponte Tancredo Neves, que faz fronteira com a Argentina, por volta das 22h50.
À 0h21 de terça-feira — 2h21 no horário de Brasília —, o Gulfstream decolou, após permanecer 26 horas no aeroporto de Puerto Iguazú. Às 3h46 — 5h46 no horário de Brasília —, a aeronave fez escala de menos de uma hora em Guayaquil e seguiu voo até Miami, onde aterrissou por volta das 10h30, no horário de Brasília.
Nas redes sociais, Santiago Caputo, assessor de Milei, celebrou o drible da operação na mídia — e que também atrapalhou os órgãos de investigação brasileiros, como a Polícia Federal.
“A cobertura jornalística do dia de hoje deve ter sido provavelmente um dos maiores vexames do jornalismo mundial da história. Disseram qualquer coisa. Desdisseram. Disseram de novo. Tudo com o mesmo nível de certeza e animosidade. Em todas as partes do mundo”, escreveu o assessor de Milei na manhã desta quarta-feira (28), quando Flávio Bolsonaro já havia deixado a Argentina na fuga aos EUA.
https://x.com/slcaputo/status/2115298516125823051
Fuga de Flávio Bolsonaro: viagem custou US$ 140 mil e foi contratada por estadunidense ao lado de assessor de Milei
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