O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apareceu pela primeira vez nesta sexta-feira (30), após fugir do Brasil para os Estados Unidos, mas evitou esclarecer como organizou sua saída do país.
Em uma transmissão ao vivo pelo Instagram, o candidato derrotado por Lula nas eleições presidenciais contou que decidiu partir após receber uma intimação da Polícia Federal, sem revelar quem financiou a viagem ou participou da operação.
Segundo Flávio, a decisão começou a tomar forma depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro. O senador afirmou que permaneceu cerca de meia hora na residência do ex-presidente e, ao sair, por volta das 10h30, foi abordado por agentes que comunicaram a ordem de entrega de seus passaportes.
O parlamentar disse que Jair presenciou a intimação. Antes de deixar o local, teria avisado ao pai que já compreendia as intenções da medida judicial e sabia o que precisava fazer.
Ao retornar para casa, Flávio afirmou ter conversado com a esposa, Fernanda, e iniciado os preparativos para deixar o Brasil. Não apresentou detalhes sobre o planejamento da fuga, a contratação do avião ou a participação de autoridades estrangeiras.
O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas. A família deixou o território brasileiro por uma passagem terrestre para a Argentina e seguiu em uma aeronave particular, que fez escala em Guayaquil, no Equador.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a apreensão dos passaportes de Flávio. Os documentos brasileiros foram cancelados pela Polícia Federal.
Reportagem do The New York Times apontou a possível participação de Jason Miller, conselheiro de Donald Trump, na obtenção do jato. O americano mantinha contato com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que vive nos Estados Unidos.
O governo Trump confirmou que autorizou a entrada do senador e de seus familiares no país, mas ainda não esclareceu qual modalidade de visto será concedida.
Depois de chegar aos EUA, Flávio divulgou uma carta golpista em que se apresentou inicialmente como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em uma versão posterior, passou a se definir como “líder do Brasil”.
Na live, o senador também anunciou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado. Defendeu que o Congresso se torne o principal espaço de atuação da oposição ao governo Lula e pediu apoio dos parlamentares à candidatura do aliado.
Em discurso golpista, Flávio quebra silêncio após fuga para os EUA
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