Apoiadores de Jair Bolsonaro denunciaram, em transmissões ao vivo e publicações no X, ter recebido ofertas de pagamento para atacar virtualmente integrantes de correntes rivais do próprio Partido Liberal. As denúncias, divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo, vieram a público na live Space Arena, fórum organizado pelo bolsonarista Rafael Cavalcanti em 25 de agosto, e incluem relatos sobre uma lista de 50 perfis a serem atacados mediante pagamento de R$ 100 por nome, com instruções para bloquear contas, silenciar usuários e acionar bots contra adversários do mesmo campo político.
Perfis bolsonaristas denunciam ofertas de pagamento para ataques
As denúncias foram feitas publicamente na live Space Arena, transmissão no X organizada por Rafael Cavalcanti que reuniu 58 participantes ao longo do dia 25 de agosto. No fórum, um dos usuários confirmou ter recebido uma lista com 50 nomes de apoiadores que deveriam ser alvos de ações coordenadas nas redes sociais.
Questionado sobre o valor envolvido, o participante confirmou a oferta de R$ 100 por cada perfil e declarou que recusou a proposta: “Não me vendi”. As instruções que acompanhavam a lista incluíam bloquear contas, silenciar usuários e usar bots para ampliar os ataques, com o objetivo explícito de enfraquecer alas rivais dentro da própria coalizão bolsonarista.
Os perfis que fizeram as denúncias são de pessoas reais, ativas nas redes desde ao menos 2021, e não contas automatizadas, segundo apuração da Folha de S.Paulo. A transmissão foi pública e ficou salva no perfil de Cavalcanti, que chegou a ser temporariamente desativado antes de ser restabelecido.
O envolvimento de figuras do PL e as reações
Parte das orientações para os ataques teria partido de Eduardo Bolsonaro, segundo um dos usuários identificados na live. A reportagem da Folha de S. Paulo procurou o ex-deputado por mensagem enviada a seu número pessoal e por meio de seu aliado Paulo Figueiredo, que respondeu que Eduardo afirmou desconhecer o episódio.
O mesmo participante que rejeitou os ataques remunerados admitiu, no entanto, ter recebido dinheiro para fazer campanha presencial, fora das redes, em favor de pré-candidatos do PL ainda na fase de pré-campanha. Ele se recusou a identificar os políticos beneficiados: “Tinha alguns pré-candidatos do PL, eram figuras carimbadas. Não vou citar esses nomes, não sou bobo”, disse durante a transmissão. Os pagamentos por campanha fora das redes e a identidade dos financiadores dos ataques virtuais não foram comprovados de forma independente.
A disputa interna e o ‘fogo amigo’ na direita
As acusações se inserem em um conflito mais amplo entre alas do bolsonarismo, que aliados do PT identificaram ao monitorar plataformas digitais em busca de possíveis ataques a nomes da esquerda, segundo a Folha de S.Paulo. O que encontraram foi, em parte, um “fogo amigo” dentro do próprio campo conservador.
O racha tem endereço conhecido: as tensões entre Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Aliados de Eduardo acusaram Nikolas de priorizar o próprio protagonismo em vez de se engajar na campanha do irmão. Já Nikolas e seus apoiadores defendiam que o foco deveria ser o enfrentamento ao governo Lula, não a mobilização interna pelo nome de Flávio. A disputa entre as duas alas transformou a militância digital bolsonarista em campo de batalha, com ferramentas de desinformação e ataque coordenado voltadas não para adversários da esquerda, mas para dentro do próprio partido.
Bolsonaristas denunciam pagamentos de ala do PL para atacar aliados nas redes
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