Luna Zarattini expõe Pavanato com vídeo em que ele chama Bolsonaro de “cruel” e “irresponsável”

Luna Zarattini expõe Pavanato com vídeo em que ele chama Bolsonaro de “cruel” e “irresponsável”
- Lucas Pavanato e Fernando Holiday com Bolsonaro (Instagram Lucas Pavanato)

Luna Zarattini expõe Pavanato em um vídeo publicado nesta terça-feira (28) que documenta uma posição política frontalmente oposta à atual base de atuação do vereador do Partido Liberal (PL). Na gravação, Lucas Pavanato classifica a condução da pandemia de Covid-19 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como um “desastre administrativo” e adjetiva o então mandatário como “cruel” e “irresponsável”.
As imagens foram divulgadas nos perfis oficiais da parlamentar petista e resgatam declarações públicas feitas por Pavanato antes de sua filiação ao PL e de sua aproximação orgânica com o bolsonarismo. A publicação da vereadora foi acompanhada da legenda “quando a hipocrisia não aguenta o próprio passado”, marcando o contraste entre a fala registrada no arquivo e a atual postura do parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo.
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Luna Zarattini expõe Pavanato: as críticas diretas ao governo
O material audiovisual é estruturado a partir de um embate no plenário do Legislativo paulistano. Na primeira parte, o registro mostra o Pavanato atual defendendo Jair Bolsonaro das acusações de envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, cobrando provas da oposição e declarando que o ex-presidente sofre perseguição política.
A edição corta imediatamente para um discurso de rua feito pelo mesmo Pavanato em anos anteriores. No ato, utilizando um microfone, ele não poupa críticas ao Palácio do Planalto e responsabiliza diretamente o chefe do Executivo pelas consequências da crise sanitária que atingiu o Brasil. A gravação é ininterrupta e exibe a formulação completa do ataque.
“O Jair Bolsonaro prometeu defender a vida, mas esteve ao lado da morte na pandemia. Pessoas que morreram sufocadas”, afirma Pavanato no vídeo. O trecho faz menção explícita à asfixia de pacientes, em referência à crise de desabastecimento de oxigênio hospitalar registrada principalmente em Manaus (AM) no início de 2021. Na sequência, o atual integrante do PL arremata sua avaliação sobre o antigo líder do governo: “Era uma pessoa cruel, irresponsável. Foi um desastre administrativo”.
O contexto eleitoral e a mudança de posicionamento
A contradição documentada pelo vídeo ganhou tração no debate público devido à rápida ascensão eleitoral de Lucas Pavanato nas últimas eleições municipais. Após se filiar ao Partido Liberal e colar sua imagem à de Jair Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ele foi eleito em 2024 com 161.386 votos, tornando-se o vereador mais votado da capital paulista.
Desde que assumiu sua cadeira na Câmara Municipal, Pavanato tem pautado seu mandato pela defesa irrestrita da agenda conservadora e pela blindagem de Bolsonaro em plenário. O discurso outrora focado em apontar “desastres administrativos” deu lugar à chamada guerra cultural e à apresentação de projetos voltados ao enfrentamento com a bancada progressista, na qual atua Luna Zarattini.
A cobertura da política institucional na Revista Fórum tem registrado os sucessivos atritos protagonizados por parlamentares da nova extrema direita, que priorizam a produção de cortes para redes sociais em detrimento da discussão de zeladoria e políticas públicas municipais. A resposta da petista, ao utilizar um material de arquivo incontestável, quebra a dinâmica habitual de embate retórico e insere um fato concreto contra o adversário.
Negacionismo, pandemia e investigações oficiais
As palavras proferidas pelo jovem Pavanato no vídeo ecoam as conclusões formais de órgãos de controle e comissões de inquérito que apuraram a conduta da gestão federal entre 2020 e 2022. Ao afirmar que o então presidente esteve “ao lado da morte” e ao citar o uso político da pandemia, o parlamentar resumiu publicamente o que as apurações institucionais detalharam em milhares de páginas.
O impacto das ações do governo foi amplamente documentado no relatório final da CPI da Pandemia do Senado Federal. O documento primário de 1.180 páginas indiciou Bolsonaro por nove crimes, incluindo charlatanismo, epidemia com resultado morte e crimes contra a humanidade. O texto aprovado pelos senadores comprovou a omissão na compra de vacinas, o estímulo a aglomerações e o incentivo ao chamado “tratamento precoce” com cloroquina — fatos que fundamentaram a indignação expressa por Pavanato à época.
O Brasil encerrou o ciclo mais agudo da emergência sanitária com mais de 700 mil óbitos registrados oficialmente pelo Ministério da Saúde. O peso histórico desses números torna o vídeo resgatado um ativo político inflamável. A base eleitoral de extrema direita, que hoje sustenta o mandato do vereador do PL, costuma rejeitar categoricamente qualquer responsabilização do ex-presidente pelas mortes ocorridas na pandemia.
Até a publicação desta reportagem, o gabinete de Lucas Pavanato não havia emitido nenhuma nota oficial para explicar a radical mudança de postura em relação a Jair Bolsonaro. A falta de esclarecimentos sobre o período em que ele considerava a gestão bolsonarista “cruel e irresponsável” mantém a pressão sobre o parlamentar, evidenciando o ônus político de um arquivo que documenta o próprio passado.

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