O paradoxo de Zema: os números da pesquisa Quaest que intrigam a direita em Minas

O paradoxo de Zema: os números da pesquisa Quaest que intrigam a direita em Minas
O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) - (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A mais recente pesquisa Genial/Quaest realizada em Minas Gerais, divulgada nesta terça-feira (28), expôs um cenário paradoxal para o ex-governador Romeu Zema (Novo) em seu estado. Embora mantenha uma aprovação de 52% em relação à sua gestão, o pré-candidato à Presidência enfrenta um teto na corrida ao Palácio do Planalto, revelando uma dinâmica complexa de lealdades eleitorais dentro do próprio campo conservador.
O levantamento destrincha o comportamento do eleitorado de direita mineiro, mostrando que a aprovação administrativa não se traduz automaticamente em voto. Entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, Zema ostenta 74% de aprovação. Contudo, na hora de escolher o presidente, 86% desse grupo migra para Flávio Bolsonaro (PL), restando apenas 6% para o ex-governador.
Na direita não bolsonarista, o cenário se repete, com a maioria (66%) preferindo o filho do ex-presidente, contra apenas 15% de Zema.
Não é à toa que o presidenciável do Novo buscou atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) de forma mais virulenta que o próprio clã Bolsonaro e defendeu medidas ultraliberais como a venda da Petrobras e do Banco do Brasil. Trata-se de uma tentativa de parecer mais bolsonarista que Flávio, estratégia já utilizada, e quase bem-sucedida, por Pablo Marçal na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024, quando por pouco não foi ao segundo turno contra o candidato oficialmente apoiado pelo ex-presidente, Ricardo Nunes. O problema para Zema é que ele tem que suplantar alguém que carrega o sobrenome do clã.
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O peso de Zema na sucessão estadual
Se o projeto nacional parece bloqueado pela polarização, a força de Zema como cabo eleitoral em Minas segue robusta. Cerca de 46% dos eleitores acreditam que ele merece eleger seu sucessor, percentual que chega a 64% na direita bolsonarista e a 65% na direita não bolsonarista. Além disso, somente 8% dos entrevistados sabem que o nome apoiado pelo ex-governador é o do atual ocupante do cargo, Mateus Simões (PSD).
É uma boa notícia para Simões, que enfrenta dificuldades para articular uma aliança em torno do seu nome. O ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) pode deixar o grupo político liderado por Zema para disputar o Palácio Tiradentes. A pré-candidatura contaria com apoio do PL e do Republicanos, que tiraria o senador Cleitinho Azevedo da corrida pelo governo de Minas.

Simões, contudo, reagiu às articulações “Converso com Marcelo Aro três vezes por semana e o secretário Castellar Neto, que o sucedeu na Segov, é do meu trato diário e contínuo. Não acredito que eles se afastariam do governo num momento desses depois de uma construção de mais de quatro anos de trabalho conjunto”, declarou, ao jornal O Globo.

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