Em Minas, Republicanos ataca e rifa candidatura de Cleitinho, que vive luto pelo irmão: “sucessivos recuos”

Em Minas, Republicanos ataca e rifa candidatura de Cleitinho, que vive luto pelo irmão: “sucessivos recuos”
- Cleitinho com Marcos Pereira, presidente do Republicanos (Facebook / Republicanos MG)

Vivendo o luto pela morte do irmão Matheus Augusto de Azevedo, que morreu no último dia 18 de complicações decorrentes de uma leucemia, o senador Cleitinho (Republicanos) foi rifado da disputa ao governo de Minas Gerais pela cúpula estadual e nacional do Republicanos, que atacou os “sucessivos recursos” em dura nota sobre a decisão, divulgada nesta quarta-feira (29).
No texto, assinado pelas executivas estaduais e nacionais do partido, braço político da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) de Edir Macedo, Cleitinho é acusado de à convenção estadual no último sábado, dia 25, quando estava com a família devido à morte do irmão.
“A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral”, diz o texto.
A nota ainda ataca Cleitinho pelo que classifica como “sucessivos recuos” na decisão sobre ser ou não candidato ao governo do Estado.
“Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura. Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo”.
Ao final o Republicanos, comandado pelo bispo licenciado e deputado federal Marcos Pereira (SP), diz que “os fatos falam por si”. “O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la” – leia a íntegra ao final da reportagem.
Disputa ao governo
A divulgação da nota acontece um dia após aliados de Cleitinho sinalizarem que ele entraria na disputa ao governo mineiro. O tom do texto, no entanto, revela a insatisfação do partido, que tinha em Minas Gerais uma das principais moedas de negociação com Flávio Bolsonaro (PL) no cenário nacional.
O acordo, que está travado por outras exigências do Republicanos – como uma cadeira no STF para Marcos Pereira e o compromisso de Flávio Bolsonaro não tentar a reeleção, em favor de Tarcísio de Freitas -, daria o desejado palanque ao filho “01” de Jair Bolsonaro em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Pesquisa Quaest encomendada pela Genial Investimentos e divulgada nesta terça-feira (28) mostra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) liderando com folga a corrida ao governo de Minas Gerais, com 35% das intenções de voto no cenário mais amplo. O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, com margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
No cenário mais amplo testado pela Quaest, Cleitinho Azevedo aparece com 35% das intenções de voto, mais que o dobro do segundo colocado. Alexandre Kalil (PDT) vem em seguida com 12%, Patrus Ananias (PT) com 10% e Mateus Simões (PSD) com 6%. A distância entre o líder e o restante do pelotão se mantém estável nos demais cenários em que o senador é incluído, com variações dentro da margem de erro.
Nas simulações de segundo turno, Cleitinho Azevedo mantém a liderança com margens expressivas: vence Kalil por 44% a 29%, Patrus Ananias por 46% a 31% e Mateus Simões por 46% a 15%.
Leia a íntegra da nota do Republicanos
Republicanos divulga nota sobre candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas Gerais
Em comunicado conjunto, as executivas estadual e nacional afirmam que a candidatura não foi formalmente assumida pelo senador até a Convenção Estadual
O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.

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