A volta atrás de Tereza Cristina (PP-SC), que se colocou à disposição para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) menos de 10 dias após recusar pela segunda vez o convite, expõe um jogo de bastidores que envolve uma reaproximação do clã Bolsonaro com Ciro Nogueira (PP-PI), por intermédio de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), e que refletiu até mesmo no veto do partrido, controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), à candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais.
Enquanto a senadora se reunia com Flávio Bolsonaro no “produtivo” encontro “sobre a vice-presidência”, o governador paulista falava com Ciro Nogueira, tentando convencer o ex-colega de ministério do ex-governo Jair Bolsonaro, a voltar atrás da anunciada neutralidade da federação PP-União nas eleições presidenciais.
https://x.com/TerezaCrisMS/status/2082933690938671399
A ação conjunta teve como objetivo usar o convite para a senadora para pressionar Ciro Nogueira e a cúpula do progressista, que terá até o início da próxima semana para definir se mantém a decisão ou corre o risco de embarcar na candidatura do clã Bolsonaro, que corre o risco de naufragar durante a campanha.
Para emparedar ainda mais Ciro Nogueira e a cúpula do PL, o Republicanos, de Tarcísio, rifou a consolidada candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera a disputa ao governo de Minas Gerais.
Ao atacar o senador em nota pública, o Republicanos se aproximou do Progressistas em Minas Gerais, que é comandado por Marcelo Aro, vice-presidente nacional da sigla e figura próxima a Nogueira.
Braço direito de Romeu Zema (Novo), Aro permaneceu no governo de Minas Gerais, mas rompeu com Matheus Simões (PSD), candidato à reeleição nesta quinta-feira (30), quando Tereza Cristina confirmou a conversa sobre ser vice de Flávio Bolsonaro.
Aliança passa por Minas
Criticado por Zema e Simões, que disse estar “dececpcionado” com o ex-aliado a quem reservou uma vaga para disputa ao Senado, Aro costura uma candidatura própria ao governo de Minas pelo PP, com a adesão de União Brasil e do Republicanos de Tarcísio.
Com chances quase nulas de se eleger ao Senado, Aro aderiu à proposta de uma ala do PP que, à revelia de Nogueira, defende que a sigla embarque na chapa de Flávio Bolsonaro.
As negociações seguem durante o fim de semana, quando Ciro Nogueira vai consultar caciques e as bases do Progressista sobre o recuo na decisão de manter a neutralidade.
Assim como Nogueira, que defendeu a neutralidade diante das dificuldades que já enfrenta para se reeleger no Piauí, o acordo com Flávio Bolsonaro encontra resistência entre candidatos da federação no Nordeste, onde pretendiam colar a campanha na imagem de Lula.
Além da questão eleitoral, Nogueira e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, temem que um apoio a Flávio Bolsonaro possa complicá-los ainda mais nas investigações da Polícia Federal, especialmente nos casos Master e Refit, que miram o grupo político.
Às vésperas do dia 5 de agosto, data final para oficialização das chapas e da convenção do Progressistas, Nogueira e Rueda se encontrarão com Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho (PL-RN) para bater o martelo sobre a negociação.
Até lá, os aliados de Flávio Bolsonaro vão aumentar a pressão sobre os ex-aliados e especialmente sobre Ciro Nogueira, que estaria sendo ingrato após ser considerado o “presidente de fato” no ex-governo de Jair Bolsonaro.
EM TEMPO: Após a conclusão dessa reportagem, o Progressistas divulgou nota em que barra Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro e reafirma neutralidade da sigla na disputa presidencial.
Tereza Cristina vice de Flávio Bolsonaro: caso envolve Ciro Nogueira, Tarcísio e Cleitinho
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!