TV Fórum: Eduardo Paes não vai romper com estrutura bolsonarista no crime organizado do RJ, diz Tarcísio Motta

TV Fórum: Eduardo Paes não vai romper com estrutura bolsonarista no crime organizado do RJ, diz Tarcísio Motta
- Deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ). Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (31), o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) analisou o cenário eleitoral para o governo do Rio de Janeiro, criticou a aliança do PT com Eduardo Paes (PSD) e destacou que o ex-prefeito não vai romper com a estrutura bolsonarista no crime organizado no estado. 
O deputado destaca que a direita no Rio de Janeiro é quem organiza o crime organizado. “Ela é capaz, a partir dos palácios do poder e das conexões com agentes econômicos, lavar dinheiro, permitir a lógica do uso do solo urbano para o poder das milícias, controlar serviços públicos. E é isso que organiza o crime”, afirmou Tarcísio. 
O parlamentar acrescenta que não vê em Eduardo Paes uma possibilidade de ruptura com este programa. “O Eduardo Paes criou uma secretaria para entregar para a família Brazão. E embora ele diga que não sabia que os Brazão eram os mandantes do assassinato da Marielle, ninguém aqui no Rio de Janeiro duvidava das relações com esta máfia política dos Brazão. Eduardo Paes chama a família Reis para compor a chapa. O Douglas Ruas é a personificação da continuidade do programa do Bacellar e do Cláudio Castro”, afirma o deputado. 
“Então, o problema é que para onde a gente olha, a gente vai ver nas chapas a reprodução de um pacto político desse partido da Alerj, que controla o Estado do Rio de Janeiro há tanto tempo e que organiza o crime no Rio de Janeiro”, completa Tarcísio. 
O deputado reforça, portanto, que a organização do crime está nos palácios do poder “dos quais esses condomínios que hoje se representam nas candidaturas de Garotinho, Douglas Ruas e Eduardo Paes, sempre fizeram parte”.
Tarcísio acrescenta que o fato do Rio de Janeiro ter hoje um governador que não faz parte desse “pacto” é positivo pois pode diminuir a capacidade desse grupo de continuar controlando os elementos eleitorais. No entanto, isso não resolve o problema, que está enraizado e os três candidatos que hoje aparecem à frente nas pesquisas, dentre eles Eduardo Bolsonaro, “sempre fizeram parte desses condomínios de poder e vão renovar os seus esquemas utilizando o fundão eleitoral, as emendas parlamentares, as estruturas dos vários municípios dos quais se faz aliança política”.  
“E assim segue a política no Rio de Janeiro, infelizmente, sem que a gente tenha um processo de ruptura real, de mudança real e estrutural na política fluminense”, lamenta o deputado. 
“Nós nos negamos a acreditar que o Eduardo Paes, com a vice do Washington Reis, que é um clã da Baixada Fluminense, com fortes ligações inclusive com o bolsonarismo, seja alternativa ao bolsonarismo”, diz Tarcísio. 
Por fim, o deputado também lamenta que, diante desse cenário, o campo progressista deixar o Rio de Janeiro sem um projeto de esquerda.  Isso é um problema lamentável sobre o qual a gente precisa entender. Por que o Rio de Janeiro está no buraco que está? Entre outras coisas, porque uma parte importante da esquerda, de uma esquerda que se tornou institucionalmente, nacionalmente importante e do qual a gente apoia, que é o governo Lula, abriu mão de disputar o Rio de Janeiro”, finaliza o deputado. 
Confira a entrevista completa do deputado Tarcísio Motta

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