Buscando desesperadamente o apoio do Republicanos, após ser escanteado pelo Progressistas, de Ciro Nogueira (PP-PI), Flávio Bolsonaro (PL) não empolgou os filiados presentes na convenção da sigla que oficializou a candidatura à reeleição ao governo paulista de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que comparou o senador ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citado em verbo no passado.
“Ele me fez e ele teve essa ideia. Ele tinha genialidade. Ele tinha um carisma que nunca vi igual. E ele me abriu essa porta. Nós amamos seu pai. Nós amamos Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Tarcísio diante de um tímido Flávio Bolsonaro, já atrás dos caciques do partido da Igreja Universal do Reino de Deus.
Em mais de uma ocasião, o presidente do Republicanos, o deputado federal e bispo licenciado Marcos Pereira, desdenhou da candidatura de Flávio Bolsonaro, dizendo que o projeto mais viável para enfrentar Lula seria com Tarcísio.
O dirigente ainda resiste a se coligar na chapa do senador e condiciona o apoio a uma vaga para ele próprio no Supremo Tribunal Federal (STF), além do compromisso de Flávio abrir mão da reeleição em favor de Tarcísio.
Ataques ao PT
Tarcísio de Freitas foi oficializado candidato à reeleição na manhã deste sábado (1º) em convenção realizada no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital paulista. O evento reuniu representantes de 12 partidos da centro-direita, com discursos foram dominados por ataques diretos a Fernando Haddad (PT), adversário na disputa pelo governo estadual.
Mesmo com Flávio no palanque, a composição visual do evento sinalizou uma estratégia de distanciamento em relação à imagem bolsonarista mais radical.
A candidatura de Tarcísio de Freitas chega ao pleito com uma coligação de 12 partidos: Republicanos, PL, PSD, MDB, Podemos, Avante, Novo e as federações formadas por União Brasil e PP, PSDB e Cidadania, e PRD e Solidariedade. A amplitude da aliança contrasta com a situação de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, que por ora não tem nenhum outro partido formalizado ao seu lado. A diferença de escala entre as duas candidaturas ficou evidente no próprio evento.
Apesar de Flávio Bolsonaro ter sido recebido com pompa pela organização, as centenas de bandeiras distribuídas pelo ginásio contavam outra história: todas exibiam apenas a imagem de Tarcísio, sem qualquer referência ao filho de Jair Bolsonaro. O distanciamento visual não foi acidental. Partidos como PP, União Brasil e MDB mantêm neutralidade na disputa presidencial, e a campanha estadual parece calcular que associar-se demais ao bolsonarismo mais radical pode custar votos no eleitorado paulista mais amplo.
Discursos e ataques à oposição
O tom da convenção foi dado logo nos primeiros discursos. Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos ao Senado na chapa de Tarcísio, e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) subiram ao palco antes do governador e concentraram suas falas em ofensivas contra Fernando Haddad (PT). A estratégia de abrir o evento com ataques ao adversário, antes mesmo de apresentar propostas, revela a aposta da campanha na polarização como motor eleitoral.
Derrite afirmou que via “o lado de lá só contando mentira o dia inteiro” e acusou o adversário de ter sido “o grande responsável pela criação da bolsa crack”. Prado foi mais direto: “Nós todos estamos juntos em um único objetivo, nunca deixar o PT governar o estado de São Paulo. Aqui, não.” Nunes chamou Haddad de “professorzinho de nariz empinado” e classificou o governo do PT como “corrupto e incompetente”, associando a instalação de empresas no Paraguai à gestão de Haddad na pasta da Fazenda.
Flávio Bolsonaro disse que lembrava do pai analisando o currículo do “engenheiro Tarcísio” antes de o governador ser nomeado ministro, e afirmou que o governo federal “desconta o ódio por Bolsonaro no povo de São Paulo”.
O senador prometeu facilitar financiamentos para o estado e a cidade de São Paulo caso seja eleito presidente, acusando a gestão Lula de dificultar o repasse de verbas. A fala instrumentaliza a pauta federal para a campanha estadual, buscando vincular a oposição a uma suposta penalização de São Paulo por razões políticas.
Flávio não empolga em discurso e Tarcísio compara com Bolsonaro: “tinha carisma que nunca vi igual”
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