Um show de absurdos. Assim pode ser resumido o discurso de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), neste sábado (1º). Ele comparou a situação de seu pai, Jair Bolsonaro, ao período do Ato Institucional Número 5 (AI-5), decretado durante a ditadura militar brasileira.
A declaração ridícula foi feita durante a convenção do PL em Santa Catarina, evento que oficializou a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello.
Flávio se queixou das restrições judiciais impostas ao ex-presidente, condenado por tentativa de golpe contra a democracia, e terminou o discurso puxando coro de “volta Bolsonaro” com o público presente.
Diante de apoiadores, Flávio Bolsonaro exagerou nas declarações bizarras e afirmou que a inelegibilidade de seu pai representa uma ruptura sem precedentes na história constitucional brasileira, e foi buscar na ditadura militar o único paralelo que, segundo ele, se sustentaria.
“O único momento da história do Brasil, onde alguém que não podia votar nem ser votado, também perdia sua voz, foi no AI-5, tão criticado pelos atuais e falsos defensores da democracia”, disse o senador.
O AI-5, decretado em 13 de dezembro de 1968, suspendeu garantias constitucionais, cassou mandatos, permitiu demissões arbitrárias de servidores públicos e suprimiu o habeas corpus para crimes políticos. Foi o instrumento que inaugurou o período mais violento e repressivo do regime militar.
Equipará-lo à situação de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, inverte totalmente a lógica histórica: o ex-presidente condenado não é vítima de um Estado de exceção, mas alguém que tentou instaurar um.
Flávio também qualificou a condenação do pai como resultado de “sacanagem, farsa e covardia”, rejeitando a legitimidade das decisões judiciais que resultaram na perda dos direitos políticos de Bolsonaro.
Os delírios do senador não pararam. Flávio foi além e recorreu a uma comparação com o fascismo italiano para reforçar o argumento: disse que nem sob aquele regime alguém teria sido proibido de receber visitas no cárcere ou de enviar cartas ao povo.
Vitimização
O enquadramento escolhido pelo senador, o de um pai impedido de ver a família por um sistema opressor, é uma estratégia deliberada de vitimização que busca deslocar o debate das razões da condenação para o sofrimento pessoal do ex-presidente.
As afirmações de que “a gente não vive mais numa democracia plena” foi feita por um senador eleito, em exercício de mandato, em um evento partidário aberto, transmitido ao vivo pelas redes sociais, o que torna a tese da censura impossível de sustentar nos próprios termos em que foi apresentada.
Flávio Bolsonaro compara situação do pai à ditadura, defendida pela própria família
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