Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar um suposto vazamento de conversas entre os dois para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
ENTENDA:
Advogado de Lulinha denuncia ação lavajatista de setores da PF: “colocaram alvo nas costas do Fábio”
Flávio Bolsonaro faz dobradinha com André Mendonça e usa ações contra Lulinha em nova estratégia de campanha
Segundo informações divulgadas por Octávio Guedes, da Globonews, em seu blog, o pedido, encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), tem como base “uma reportagem do jornal O Globo, segundo a qual a campanha de Flávio Bolsonaro teve acesso às conversas, protegidas por sigilo judicial dentro da Operação Sem Desconto, que apura fraudes do INSS”.
No pedido, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins, que fazem a defesa da empresária, pedem a quebra de sigilo e a apreensão de computadores, celulares ou qualquer equipamento dos agentes da PF, incluindo delegados cedidos ao gabinete do ministro André Mendonça, relator dos casos envolvendo Lulinha no STF.
Mendonça tem concentrado a investigação em seu gabinete e acusa Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, dos vazamentos. No entanto, segundo apurou a Fórum, há suspeitas de que os vazamentos partam do próprio gabinete do ministro do Supremo por meio de agentes que fariam parte da ala lavajatista da Polícia Federal.
Ação lavajatista
A suspeita levantada por Roberta Luchsinger vai ao encontro do disse o advogado Marco Aurélio Carvalho, que faz a defesa de Lulinha, a Fórum neste sábado (1º).
Segundo Carvalho, que é coordenador do grupo Prerrogativas e do setor jurídico da campanha de Lula em São Paulo, há suspeitas de que as duas investigações contra o filho do presidente, autorizados por Mendonça em 48 horas, fazem parte de uma ação lavajatista de setores da Polícia Federal (PF) para interferirem em prol de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
“Pintaram o alvo e atiraram a flecha. Essa é a verdade. Eles colocaram um alvo ambulante nas costas do Fábio e ele virou suspeito pelo simples fato de existir. Criminalizaram a existência dele, as relações sociais dele, as relações econômicas dele, as relações profissionais. É uma vergonha. Uma coisa é ele ter amizade, outra coisa é ele ter relação profissional – que não teria nenhum problema desde que ele reconhecesse”, afirmou.
A tática remete às eleições de 2018, quando o então juiz Sergio Moro (PL-PR), atual candidato do clã Bolsonaro ao governo do Paraná, levantou o sigilo da delação premiada de Antonio Palocci em 1º de outubro de 2018, seis dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
Após vencer Fernando Haddad na disputa, Jair Bolsonaro ofereceu o “super” ministério da Justiça ao ex-juiz da Lava Jato, que deixou o posto em abril de 2020 acusando o ex-presidente justamente de interferir na Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro no caso de corrupção das chamadas “rachadinhas”.
Marco Aurélio Carvalho afirma que até o momento não teve acesso aos processos autorizados por Mendonça e sequer ao nome dos agentes federais que solicitaram as investidas contra Lulinha.
O advogado ainda critica os vazamentos, que remetem ao mesmo método de conluio entre Moro, procuradores da Lava Jato e setores da mídia liberal para construção de uma narrativa e fabricação de manchetes – como ocorreu nesta semana com Folha, Estadão e O Globo no caso envolvendo o filho do presidente.
“A gente tem dito que a gente segue confiando nas instituições E nós acreditamos, evidentemente, que os responsáveis pelas investigações não vão permitir que elas sejam utilizadas com objetivos políticos e eleitorais. Ao menos as autoridades que estão acima de cada uma dessas investigações, os ministros do Supremo e, eventualmente, os delegados da polícia que presidiam tais ou quais inquéritos. Claro que estou falando isso do ponto de vista retórico, porque é claro que a gente está com receio desses caras interferirem. Mas, eu não tive acesso [aos autos]. Isso nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça, recordando tristes e lamentáveis episódios da finada Operação Lava Jato“, afirmou.
Para o coordenador do grupo Prerrogativas, “o que está acontecendo é a instrumentalização de setores da Polícia Federal”.
“Nós não podemos falar de toda a Polícia Federal, inclusive porque a gente reconhece, louva e aplaude a iniciativa do Andrei [Rodrigues, diretor-geral da PF, que também virou alvo de Mendonça] de fortalecer a instituição, reafirmando a necessidade de atuar com independência, autonomia, tal como o presidente determinou. Mas é induvidoso que setores da Polícia Federal estão sendo instrumentalizados por interesses políticos eleitorais. Há uma tentativa clara desses setores de interferir nas eleições de modo a tentar se sobrepor à vontade popular, que é expressada numa democracia, pelo voto, nas urnas”, diz.
Amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger pede apuração sobre vazamentos de conversas para campanha de Flávio Bolsonaro
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