Flávio Dino autoriza inquérito contra Lulinha e investigação de vazamentos ilegais

Flávio Dino autoriza inquérito contra Lulinha e investigação de vazamentos ilegais
- Ministro Flávio Dino - Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura do terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão atende a pedido da Polícia Federal, que suspeita de tráfico de influência em contratos de uma empresa de tecnologia com o governo federal, e foi tomada um dia após Dino ser sorteado relator do caso.
Ao mesmo tempo, o ministro autorizou um segundo inquérito para apurar vazamentos ilegais de dados sigilosos em investigações.
A decisão de Dino chega menos de 24 horas após seu sorteio como relator do terceiro pedido de inquérito contra Lulinha. O ministro acatou o requerimento da Polícia Federal e autorizou a abertura da investigação por suspeita de tráfico de influência, tornando-se o segundo ministro do STF a deferir pedidos do gênero contra o filho do presidente em poucos dias.
Além do inquérito principal, Dino também autorizou uma apuração paralela sobre vazamentos ilegais de dados sigilosos em investigações em curso. A abertura dessa segunda frente, solicitada pela própria PF, coincide com uma demanda que a defesa de Lulinha vinha fazendo junto ao Judiciário, ao argumentar que informações protegidas por sigilo estariam sendo divulgadas de forma irregular.
O inquérito tem como alvo a empresa de tecnologia 3Structure IT, que mantém contratos somando R$ 55,7 milhões com o governo federal. Segundo a Polícia Federal, Lulinha é suspeito de ter usado sua condição de filho do presidente da República para favorecer empresas parceiras e facilitar negócios e investimentos envolvendo a companhia.
O que diz a defesa
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, disse que a defesa recebeu a notícia “com absoluta tranquilidade” e manifestou confiança na condução do caso por Dino.
Anteriormente, Carvalho criticou a atuação da PF e exigiu “providências enérgicas” do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, criticando a falta de acesso aos autos e o que classifica como instrumentalização da corporação.
Carvalho afirmou que Lulinha “vai se colocar à disposição de forma voluntária e espontânea de todas as autoridades para prestar todos os depoimentos e vai ao final comprovar que não tem relação direta ou indireta com nenhum tipo de irregularidade”.
 
“Nós não podemos permitir que setores da Polícia Federal instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais interfiram no processo eleitoral de 2026, trazendo insegurança para o pleito ou fatores externos que nada têm a ver com a disputa que se avizinha.” — Marco Aurélio de Carvalho

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