A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (4/8) a Operação Sem Desconto contra o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), cumprindo mandados de busca e apreensão em investigação sobre lavagem de dinheiro.
O caso gira em torno de uma mansão de R$ 6 milhões, em Brasília, utilizada pelo senador, mas adquirida por uma empresa vinculada ao advogado, segundo a PF.
A suspeita é de que estruturas empresariais e terceiros foram usados para ocultar a origem e o destino dos recursos desviados do INSS.
A PF informou que as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas, em tese, por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos.
Os detalhes da apuração constam em relatório enviado pela corporação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mansão de R$ 6 milhões e o suposto “hub financeiro”
No centro da investigação está uma residência avaliada em R$ 6 milhões, localizada no Lago Sul, região nobre de Brasília, utilizada pelo senador Weverton Rocha.
Segundo a PF, quem adquiriu o imóvel, em abril de 2023, foi a WT Administração de Imóveis e Bens S/A, sociedade vinculada a Willer Tomaz, embora o próprio senador tenha participado das tratativas para a compra.
A PF aponta que “a dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração”: o imóvel está no nome de uma empresa do advogado, mas seria usado e controlado pelo parlamentar.
Ainda segundo a Polícia Federal, Willer Tomaz “funcionaria como verdadeiro ‘hub financeiro’, patrimonial e logístico” posto à disposição dos beneficiários do esquema, entre os quais estaria o senador Weverton Rocha. A suspeita, em síntese, é a de uso de terceiros para blindar patrimônio de origem ilícita.
Esposa do senador teria recebido R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado
A Polícia Federal também revelou, nesta terça-feira (4), que Samya Rocha, esposa do senador Weverton Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz.
A PF descreve uma estrutura que incluiria transferências entre empresas, pagamentos em espécie, aquisição de bens em nome de terceiros e investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a PF sustenta que Weverton Rocha exercia papel central nessa estrutura: caberia a ele formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar da aquisição de imóveis e interferir em decisões patrimoniais.
Leia a nota da defesa de Willer Tomaz na íntegra
Nota de esclarecimento
O advogado e empresário Willer Tomaz esclarece que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.
A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação.
Willer Tomaz é suspeito de pagar mansão de R$ 6 milhões de senador
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