Candidatas do PT em MG denunciam ameaças de morte e estupro durante campanha

Candidatas do PT em MG denunciam ameaças de morte e estupro durante campanha
- Deputadas Bella Gonçalves e Andréia de Jesus. Fotos: Ramon Bitencourt/ALMG e Elizabete Guimarães/ALMG

As candidatas do PT de Minas Gerais Bella Gonçalves, Ana Elisa e Andréia de Jesus registraram boletins de ocorrência após serem alvos de ameaças de estupro e morte durante campanha eleitoral. As mensagens contra Ana Elisa e Andréia de Jesus também tinham ataques racistas e foram feitas por um homem que se apresentava como um supremacista branco.
As ameaças foram feitas entre os dias 5 e 11 de setembro. Nas mensagens enviadas a todas as candidatas, há dados delas e de seus familiares, o que levanta a suspeita de que as ameaças tenham sido combinadas em grupos online. A assessoria jurídica das deputadas se manifestou afirmando que as ameaças foram encaminhadas à polícia para serem investigadas. 
Nas redes sociais, a campanha da candidata a deputada federal Bella Gonçalves, que foi ameaçada no dia 5 de setembro, mesma data das ameaças feitas à Ana Elisa, afirmou que além das ameaças, o comitê central da campanha, em Belo Horizonte, também foi alvo de vandalismo. 
“Isso não é debate político. É crime. A legislação eleitoral reconhece como violência política de gênero qualquer agressão que busque impedir ou restringir a participação de uma mulher na política em razão do seu gênero e sexualidade”, afirmou a campanha da candidata. 
“Bella Gonçalves não vai se calar nem recuar. Ameaça é um ataque à democracia. Seguimos com o mandato, com a nossa campanha a deputada federal e com o compromisso de representar as mulheres de Minas Gerais”, acrescentou. 
Já a também candidata a deputada federal Ana Elisa recebeu ameaças racistas por e-mail, que mencionava dados pessoais da candidata e de sua família. Na mensagem, o autor se dizia “membro da Ku Klux Klan” e afirmava que não tolerava ” mulheres pretas que acham que podem representar o povo vestidos ternos ridículos e falando em tom alto sobre justiça social”. 
A campanha da candidata também ressaltou que as ameaças não configuram debate político, e sim, crime. “O conteúdo apresenta indícios de ameaça, racismo e violência política contra a mulher, prevista na legislação eleitoral quando a agressão busca impedir ou restringir a participação política de uma mulher em razão de seu gênero, inclusive associada à violência racial”, afirma. 
A mensagens acrescenta que a candidatura de Ana Elisa “não aceitará que racismo, ameaça, violência sexual ou violência política de gênero sejam tratados como parte normal da vida pública”. 
“A tentativa de intimidar uma mulher negra para afastá-la da disputa política será respondida com denúncia, investigação e responsabilização e campanha eleitoral na rua.”
Já no dia 11 de setembro, a vítima de ameaças misóginas e racistas foi a candidata à reeleição para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais Andréia de Jesus. Em e-mails, o autor afirmava que iria “arrancar a alma negra” da candidata. 
Nas redes, a candidata falou sobre o caso e contextualizou o perigo da exposição de dados. “No meu caso, eu estou falando de violência política. Ameaçar minha família e pessoas próximas é uma tentativa de produzir medo, me intimidar e interferir no exercício da política”, disse a deputada.
“Não vou naturalizar isso. Cada ameaça será denunciada e levada às autoridades competentes”, completou. 

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