Aliado de Tarcísio supostamente ligado ao PCC, Milton Leite segue foragido após promessa de se entregar em 24h

Aliado de Tarcísio supostamente ligado ao PCC, Milton Leite segue foragido após promessa de se entregar em 24h
- Tarcísio, Ricardo Nunes e MIlton Leite/Foto: Leandro Chemalle

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo alvo de operação policial por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Milton Leite (União Brasil) segue foragido após prometer se entregar em 24 horas. 
Nesta quinta-feira (17), o ex-vereador foi alvo da Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação mirou uma rede criminosa suspeita de lavar dinheiro e infiltrar o PCC no sistema de transporte coletivo e na administração pública da capital paulista. 
Leite foi o principal alvo da operação, teve a prisão decretada e, no mesmo dia, às 7 horas da manhã, prometeu se entregar dentro do prazo de 24 horas. No entanto, o ex-vereador segue foragido. 
Segundo informaram funcionários do local, à polícia, o político — que atualmente preside o diretório do União Brasil em São Paulo — deixou o imóvel na noite anterior sob a justificativa de cumprir compromissos de campanha. Como não foi localizado nos endereços habituais, ele passou a ser tratado formalmente como foragido pelas autoridades de segurança. 
A operação
A operação marca a terceira fase de uma investigação que monitora os tentáculos da facção criminosa em contratos públicos. Ao todo, as equipes saíram às ruas para cumprir:

16 mandados de prisão preventiva [1]
18 mandados de busca e apreensão em diversos endereços [1]

Além de Milton Leite, a Justiça determinou a prisão de outras figuras públicas e empresários. Entre os detidos na manhã de hoje estão o ex-presidente da SPTrans, Levi de Oliveira, e o candidato a deputado Danilo Morgado (PL).
Segundo as investigações do Ministério Público, o PCC utilizava o sistema de transporte coletivo de São Paulo para movimentar recursos ilícitos. A apuração aponta fraudes sistemáticas em licitações e contratos com 12 empresas de ônibus que operam na capital.
A polícia também cumpre mandados contra o chamado “núcleo dos gravatas”, um braço jurídico composto por advogados suspeitos de atuar diretamente na blindagem e na defesa dos interesses financeiros e estruturais da organização criminosa dentro do poder público.
Quem é Milton Leite
O ex-vereador deixou a Câmara no fim de 2024, após sete mandatos consecutivos. Ele ingressou no Legislativo paulistano em 1997 e chegou seis vezes à presidência da Casa, segundo seu perfil oficial na Câmara Municipal. Fora do mandato, continuou com peso na política paulista e passou a comandar, ao lado do deputado Maurício Neves, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP no estado.
Em 2026, Milton Leite participou diretamente da montagem do palanque de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Em janeiro, após reunião no Palácio dos Bandeirantes com o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, Leite confirmou o apoio da federação a Tarcísio. Meses depois, União e PP acertaram entre suas prioridades no estado a reeleição do governador.
A aproximação com Flávio ficou explícita em 20 de julho, durante convenção da União Progressista na Assembleia Legislativa. Diante do senador, Tarcísio e outras lideranças, Milton Leite se referiu ao filho de Jair Bolsonaro como “nosso candidato a presidente”. O diretório paulista da federação declarou apoio à candidatura de Flávio ao Planalto.
Transwolff já havia colocado Leite no radar das investigações
A relação de Milton Leite com o setor de ônibus já havia aparecido nas apurações sobre a Transwolff, empresa investigada pelo Ministério Público por suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.
Em 2024, a Fórum mostrou que o Ministério Público sustentava que Leite poderia ter desempenhado “papel juridicamente relevante” nos fatos investigados. A Justiça chegou a autorizar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Naquele momento, porém, Leite não foi denunciado na ação decorrente da Operação Fim da Linha. Ele apareceu como testemunha. A Fórum também revelou as relações políticas entre Leite e Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, então presidente da Transwolff e um dos presos na operação.
O nome do ex-vereador voltou ao caso em 2026. Um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar encontrou mensagens de policiais que faziam segurança particular para dirigentes da Transwolff. Em uma delas, o sargento da reserva Nereu Aparecido Alves se referia a Milton Leite como “chefe”.
Leite negou conhecer o policial e afirmou que sua segurança, quando presidia a Câmara, era realizada pela Assessoria Militar oficial do Legislativo. Também negou participação em crimes ou vínculos com o PCC.
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