O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo alvo de operação policial por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Milton Leite (União Brasil) segue foragido após prometer se entregar em 24 horas.
Nesta quinta-feira (17), o ex-vereador foi alvo da Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação mirou uma rede criminosa suspeita de lavar dinheiro e infiltrar o PCC no sistema de transporte coletivo e na administração pública da capital paulista.
Leite foi o principal alvo da operação, teve a prisão decretada e, no mesmo dia, às 7 horas da manhã, prometeu se entregar dentro do prazo de 24 horas. No entanto, o ex-vereador segue foragido.
Segundo informaram funcionários do local, à polícia, o político — que atualmente preside o diretório do União Brasil em São Paulo — deixou o imóvel na noite anterior sob a justificativa de cumprir compromissos de campanha. Como não foi localizado nos endereços habituais, ele passou a ser tratado formalmente como foragido pelas autoridades de segurança.
A operação
A operação marca a terceira fase de uma investigação que monitora os tentáculos da facção criminosa em contratos públicos. Ao todo, as equipes saíram às ruas para cumprir:
16 mandados de prisão preventiva [1]
18 mandados de busca e apreensão em diversos endereços [1]
Além de Milton Leite, a Justiça determinou a prisão de outras figuras públicas e empresários. Entre os detidos na manhã de hoje estão o ex-presidente da SPTrans, Levi de Oliveira, e o candidato a deputado Danilo Morgado (PL).
Segundo as investigações do Ministério Público, o PCC utilizava o sistema de transporte coletivo de São Paulo para movimentar recursos ilícitos. A apuração aponta fraudes sistemáticas em licitações e contratos com 12 empresas de ônibus que operam na capital.
A polícia também cumpre mandados contra o chamado “núcleo dos gravatas”, um braço jurídico composto por advogados suspeitos de atuar diretamente na blindagem e na defesa dos interesses financeiros e estruturais da organização criminosa dentro do poder público.
Quem é Milton Leite
O ex-vereador deixou a Câmara no fim de 2024, após sete mandatos consecutivos. Ele ingressou no Legislativo paulistano em 1997 e chegou seis vezes à presidência da Casa, segundo seu perfil oficial na Câmara Municipal. Fora do mandato, continuou com peso na política paulista e passou a comandar, ao lado do deputado Maurício Neves, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP no estado.
Em 2026, Milton Leite participou diretamente da montagem do palanque de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Em janeiro, após reunião no Palácio dos Bandeirantes com o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, Leite confirmou o apoio da federação a Tarcísio. Meses depois, União e PP acertaram entre suas prioridades no estado a reeleição do governador.
A aproximação com Flávio ficou explícita em 20 de julho, durante convenção da União Progressista na Assembleia Legislativa. Diante do senador, Tarcísio e outras lideranças, Milton Leite se referiu ao filho de Jair Bolsonaro como “nosso candidato a presidente”. O diretório paulista da federação declarou apoio à candidatura de Flávio ao Planalto.
Transwolff já havia colocado Leite no radar das investigações
A relação de Milton Leite com o setor de ônibus já havia aparecido nas apurações sobre a Transwolff, empresa investigada pelo Ministério Público por suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.
Em 2024, a Fórum mostrou que o Ministério Público sustentava que Leite poderia ter desempenhado “papel juridicamente relevante” nos fatos investigados. A Justiça chegou a autorizar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Naquele momento, porém, Leite não foi denunciado na ação decorrente da Operação Fim da Linha. Ele apareceu como testemunha. A Fórum também revelou as relações políticas entre Leite e Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, então presidente da Transwolff e um dos presos na operação.
O nome do ex-vereador voltou ao caso em 2026. Um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar encontrou mensagens de policiais que faziam segurança particular para dirigentes da Transwolff. Em uma delas, o sargento da reserva Nereu Aparecido Alves se referia a Milton Leite como “chefe”.
Leite negou conhecer o policial e afirmou que sua segurança, quando presidia a Câmara, era realizada pela Assessoria Militar oficial do Legislativo. Também negou participação em crimes ou vínculos com o PCC.
LEIA MAIS: Milton Leite: quem é o aliado de Flávio Bolsonaro e Tarcísio alvo de ação por elo com o PCC
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!