“Guerra” eleitoral é entre “democracia liberal e republicanismo e quem admite fascismo e ditadura”, diz Tarso Genro

“Guerra” eleitoral é entre “democracia liberal e republicanismo e quem admite fascismo e ditadura”, diz Tarso Genro
- Tarso Genro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ao completar a análise da última pesquisa Datafolha, que mostra que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou na avaliação do governo Lula, o ex-ministro Tarso Genro fez uma avaliação ampla sobre o que classificou como “guerra” travada pelo presidente contra Flávio Bolsonaro (PL) na disputa à Presidência.
“A guerra que se trava no nosso processo eleitoral, neste momento, é entre quem defende a democracia liberal e o republicanismo, de um lado, e quem admite o fascismo e a ditadura”, destacou o ex-governador do Rio Grande do Sul.
Segundo Genro, o que está posto nas eleições, não é uma comparação entre os governos Lula e Bolsonaro “como pensou erroneamente – pelo menos até agora – a coordenação da nossa campanha e talvez até o próprio Presidente Lula”.
“No curso desse ambiente de “guerra híbrida” – patrocinada por aquele protecionismo dos países ricos – não é a oposição entre modelos econômicos e a comparação qualitativa entre Governos, que desloca votos, “para lá ou para cá”. Por quê? Porque em processos eleitorais a História é o cotidiano em estado puro. Tudo se escoa no ralo da memória pela fibrilação do presente. E nesse cotidiano as pessoas querem saber o que vai ser do seu futuro imediato e que, se a democracia que aí está pode lhes indicar um caminho de paz, justiça, trabalho e segurança e empreendedorismo (sim, empreendedorismo!) para viverem em comunidade”, escreveu.
“Se a democracia não oferece um perspectiva segura dentro desse contexto, uma boa parte do povo – das classes médias para baixo – aderem tranquilamente a um regime autoritário que lhes promete fazer tudo, em poucos dias: segurança pública, matar bandidos; dívida pública, cortar gastos sociais; relações internacionais, aceitar o protetorado norte-americano; corrupção, condenar todo mundo, mesmo que sem respeitar as formas legais”, emendou Genro.
Traçando um comparativo do atual cenário com a ascensão do nazismo, de Adolph Hitler, na Alemanha, Genro acredita que a partir da próxima segunda-feira (21), faltando 15 dias para a eleição, será definido não quem vai ser o próximo presidente, mas se a disputa será encerrada já no primeiro turno.
“No nazismo, todo esse imediatismo foi concentrado numa só tarefa estatal: a eliminação “saneadora” de um povo inteiro, o povo judeu. Falar sobre o futuro com grandeza épica, de quem já fez – como Lula – pode derrotar o “partido” do crime organizado, de quem só fez o mal, como os Bolsonaros. Penso que este é quadro político que vai se desenhar, a partir da próxima segunda-feira e que vai decidir, na verdade, não quem vai ser o próximo Presidente. Mas se já o teremos no primeiro turno”, afirmou.
Crise no STF
Para Genro, os números do Datafolha mostram que a crise no Supremo Tribunal Federal não atingiu Lula, mesmo com o presidente não estando com paridade de armas contra Flávio Bolsonaro, que se beneficia, além da relatoria de André Mendonça no caso Master, de uma coalizão de forças que une mídia liberal, mercado financeiro e interferência do governo Donald Trump no Brasil.
“Os números da Folha demonstram, na verdade, que a “crise” do STF não prejudicou nem ajudou, a campanha de Lula. E se não prejudicou, concretamente ‘ajudou’, quem defende a democracia e o republicanismo, porque a situação permaneceu a mesma num ambiente competitivo desigual. Nesse ambiente a democracia representativa está “em baixa” em todo o mundo, assediada por dois fatores hisoricamente novos, que afetam as eleições globalmente: (1) assediada pelo imediatismo manipulador do fascismo, que adota as técnicas do “golpe continuado”, ainda em curso no país, e (2) pela violência do trumpismo militarista, protecionista dos ricos, eficaz para intimidar não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo”, analisa.
https://x.com/tarsogenro/status/2100910893307416867

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