Flávio Bolsonaro em nova derrota: Republicanos, de Tarcísio de Freitas, anuncia neutralidade

Flávio Bolsonaro em nova derrota: Republicanos, de Tarcísio de Freitas, anuncia neutralidade
- Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/X @flaviobolsonaro

O Republicanos decidiu permanecer neutro na disputa pela Presidência da República em 2026 e não declarará apoio formal à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi anunciada nesta terça-feira (4), em Brasília, pela executiva nacional da legenda, após consulta aos diretórios estaduais.
A medida representa um revés para a estratégia do PL de ampliar sua base de apoio na corrida ao Palácio do Planalto. Apesar de reunir importantes aliados da família Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o Republicanos optou por preservar a autonomia de suas lideranças estaduais e evitar um posicionamento nacional.
Tentativa de articulação
A definição ocorreu após uma última tentativa de negociação por parte da cúpula do PL. Na segunda-feira (3), Flávio Bolsonaro reuniu-se, em Brasília, com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Participaram do encontro o coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Durante a reunião, Marcos Pereira informou que a maioria dos diretórios estaduais havia se manifestado pela neutralidade. Segundo o dirigente, 17 diretórios votaram pela independência, enquanto nove defenderam o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e um se posicionou favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Partido cita crescimento nacional
Em nota, o Republicanos afirmou que a decisão foi tomada por “deliberação majoritária” das executivas estaduais e reflete a expansão da legenda nos últimos anos.
Segundo o partido, o crescimento nacional tornou mais difícil a adoção de uma posição única para todas as regiões do país.
“A decisão reflete o respeito à construção democrática interna do partido e reconhece a realidade de um Republicanos que cresceu, consolidou sua presença nacional e passou a representar diferentes regiões, contextos e alianças políticas”, informou a legenda.
O comunicado também destaca que a neutralidade não representa ausência de posicionamento político, mas uma forma de preservar a unidade partidária diante das diferentes composições estaduais.
“A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político. Ao contrário, demonstra maturidade institucional, respeito ao pacto federativo e compromisso com a unidade partidária”, acrescenta a nota.
O Republicanos informou ainda que sua prioridade será ampliar a representação no Congresso Nacional, fortalecendo as bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado para aumentar sua influência política e contribuir para a governabilidade.
Impacto na chapa de Flávio Bolsonaro
A decisão também afeta diretamente os planos da campanha de Flávio Bolsonaro para a composição da chapa presidencial.
A principal cotada para ocupar a vaga de vice-presidente era a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e responsável pela coordenação do programa econômico da campanha. Filiada ao Republicanos desde abril, ela perde força como opção após a legenda optar pela neutralidade.
O cenário se torna ainda mais desafiador para o PL porque o Progressistas (PP) também decidiu, nos últimos dias, permanecer neutro na eleição presidencial e desistiu de convocar convenção nacional para deliberar sobre eventual apoio ao senador.
Com isso, foi praticamente descartada a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa como candidata a vice-presidente.
Prazo para definição
A pouco mais de dez dias do prazo final para o registro das chapas, marcado para 15 de agosto, Flávio Bolsonaro segue sem definir um candidato a vice-presidente.
Caso não consiga firmar alianças com outras legendas, o senador deverá buscar um nome dentro do próprio PL, que permanece, até o momento, como o único partido a sustentar oficialmente sua candidatura à Presidência da República.
 

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