Podemos diz não a Flávio Bolsonaro e decide pela neutralidade na eleição presidencial

Podemos diz não a Flávio Bolsonaro e decide pela neutralidade na eleição presidencial
Flávio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro - Foto: Daniel Ramalho/AFP

O Podemos decidiu manter a neutralidade na eleição presidencial deste ano, frustrando mais uma tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ampliar sua base de apoio no Centrão.
A decisão foi tomada após uma consulta aos diretórios estaduais do partido, realizada na segunda-feira (3), e deve ser oficializada até esta quarta-feira (5).
O PL chegou a sondar a possibilidade de a presidente nacional do Podemos, a deputada Renata Abreu, ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A hipótese, porém, nunca esteve nos planos da legenda.
Com a decisão, o Podemos se junta a outros partidos que rejeitaram uma aliança formal com o candidato do PL.
O Republicanos oficializou sua neutralidade na terça-feira (4). Já a federação formada por União Brasil e PP comunicou ao PL que também não pretende integrar a chapa presidencial.
A posição do Podemos representa mais um revés para Flávio Bolsonaro, que tenta atrair partidos do Centrão e ampliar o tempo de televisão, a estrutura regional e o apoio político de sua candidatura.
Republicanos, de Tarcísio de Freitas, anuncia neutralidade
O Republicanos decidiu permanecer neutro na disputa pela Presidência da República em 2026 e não declarará apoio formal à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi anunciada nesta terça-feira (4), em Brasília, pela executiva nacional da legenda, após consulta aos diretórios estaduais.
A medida representa um revés para a estratégia do PL de ampliar sua base de apoio na corrida ao Palácio do Planalto. Apesar de reunir importantes aliados da família Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o Republicanos optou por preservar a autonomia de suas lideranças estaduais e evitar um posicionamento nacional.
Tentativa de articulação
A definição ocorreu após uma última tentativa de negociação por parte da cúpula do PL. Na segunda-feira (3), Flávio Bolsonaro reuniu-se, em Brasília, com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Participaram do encontro o coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Durante a reunião, Marcos Pereira informou que a maioria dos diretórios estaduais havia se manifestado pela neutralidade. Segundo o dirigente, 17 diretórios votaram pela independência, enquanto nove defenderam o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e um se posicionou favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Partido cita crescimento nacional
Em nota, o Republicanos afirmou que a decisão foi tomada por “deliberação majoritária” das executivas estaduais e reflete a expansão da legenda nos últimos anos.
Segundo o partido, o crescimento nacional tornou mais difícil a adoção de uma posição única para todas as regiões do país.
“A decisão reflete o respeito à construção democrática interna do partido e reconhece a realidade de um Republicanos que cresceu, consolidou sua presença nacional e passou a representar diferentes regiões, contextos e alianças políticas”, informou a legenda.
O comunicado também destaca que a neutralidade não representa ausência de posicionamento político, mas uma forma de preservar a unidade partidária diante das diferentes composições estaduais.
“A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político. Ao contrário, demonstra maturidade institucional, respeito ao pacto federativo e compromisso com a unidade partidária”, acrescenta a nota.
O Republicanos informou ainda que sua prioridade será ampliar a representação no Congresso Nacional, fortalecendo as bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado para aumentar sua influência política e contribuir para a governabilidade.
Impacto na chapa de Flávio Bolsonaro
A decisão também afeta diretamente os planos da campanha de Flávio Bolsonaro para a composição da chapa presidencial.
A principal cotada para ocupar a vaga de vice-presidente era a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e responsável pela coordenação do programa econômico da campanha. Filiada ao Republicanos desde abril, ela perde força como opção após a legenda optar pela neutralidade.
O cenário se torna ainda mais desafiador para o PL porque o Progressistas (PP) também decidiu, nos últimos dias, permanecer neutro na eleição presidencial e desistiu de convocar convenção nacional para deliberar sobre eventual apoio ao senador.
Com isso, foi praticamente descartada a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa como candidata a vice-presidente.
Prazo para definição
A pouco mais de dez dias do prazo final para o registro das chapas, marcado para 15 de agosto, Flávio Bolsonaro segue sem definir um candidato a vice-presidente.
Caso não consiga firmar alianças com outras legendas, o senador deverá buscar um nome dentro do próprio PL, que permanece, até o momento, como o único partido a sustentar oficialmente sua candidatura à Presidência da República.
PP e União Brasil declaram neutralidade
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, comunicou a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira (22) que a federação formada por PP e União Brasil adotará a neutralidade na eleição presidencial, ao menos no primeiro turno.
A decisão, tomada após reunião com dirigentes do PP na noite de terça-feira (21), representa um revés para a estratégia do pré-candidato do PL de consolidar o apoio do Centrão antes das convenções partidárias e evidencia a dificuldade de repetir a ampla aliança construída por Jair Bolsonaro em 2022.
A posição foi comunicada diretamente por Ciro Nogueira a Flávio Bolsonaro. O senador do PL ainda esperava fechar uma aliança com a federação União Progressista, mas deixou a conversa sem o compromisso que buscava.
A formalização da neutralidade deve ocorrer nos próximos dias. Na reunião de terça-feira (21), a maioria dos dirigentes do PP avaliou que essa era a melhor alternativa para preservar a autonomia dos diretórios estaduais.
Na prática, PP e União Brasil permitirão que cada estado defina seu próprio palanque presidencial, apoiando Flávio Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou qualquer outro candidato, de acordo com as conveniências locais. A orientação também poderá ser mantida em um eventual segundo turno.
Motivações por trás da decisão
O principal fator foi a necessidade de preservar os acordos regionais. Em alguns estados, a federação estará ao lado de candidatos da direita; em outros, poderá apoiar aliados de Lula. Vincular toda a federação a um único projeto presidencial dificultaria essas composições, consideradas prioritárias pelos partidos do Centrão.
Nos bastidores, porém, a avaliação vai além da estratégia eleitoral. Segundo interlocutores da federação, as legendas não demonstram entusiasmo com a candidatura de Flávio Bolsonaro, que enfrenta um momento de desgaste político.
Também pesa a preocupação com o surgimento de novas acusações envolvendo a relação do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Há ainda um componente pessoal. Ciro Nogueira tem manifestado insatisfação por não ter sido defendido por Flávio Bolsonaro quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal. O contraste com 2022 é evidente: aliados descrevem que a relação do senador com Jair Bolsonaro era próxima, cenário que não se repete com o filho.
Impacto na campanha de Flávio Bolsonaro
A decisão da federação chega em um momento delicado para a campanha de Flávio Bolsonaro, que ainda não definiu seu candidato a vice-presidente e segue negociando alianças.
O prazo para registro das coligações termina em 5 de agosto, e o comando da campanha pretende anunciar o vice apenas próximo dessa data, apostando em uma melhora nas intenções de voto. A perda do apoio da federação PP-União Brasil, no entanto, reduz o espaço de negociação do PL.
Centrão busca se realinhar
Sem o apoio da federação PP-União Brasil, Flávio Bolsonaro voltou suas atenções para o Republicanos, partido que integrou a coalizão de Jair Bolsonaro em 2022.
As negociações, porém, também enfrentam dificuldades. Integrantes da legenda indicam que o Republicanos poderá seguir o mesmo caminho e adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial.
O principal motivo é o conflito em torno das eleições estaduais. O PL resiste em apoiar candidatos do Republicanos ao governo em estados considerados estratégicos.
O caso mais emblemático é o de Mato Grosso. Na quarta-feira (22), o PL oficializou a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL-MT) ao governo do estado, deixando de apoiar Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição. A decisão travou as negociações entre as duas siglas.
Impasses semelhantes também ocorrem em Roraima e no Acre. Em todos esses estados, o PL reivindica protagonismo nas disputas locais, enquanto potenciais aliados condicionam o apoio nacional à construção de acordos regionais.
 

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