Investigação sobre atentados no DF descobre rede que induzia crianças à automutilação

Investigação sobre atentados no DF descobre rede que induzia crianças à automutilação
- Operação mira grupos suspeitos de propagar ódio contra mulheres e extremismo nas redes sociais - Foto:...

As operações Lívia e Rede Interrompida foram deflagradas, na manhã desta terça-feira (4), pelas polícias civis e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e revelaram a articulação, em grupos públicos no Telegram e no Discord, de um plano para um atentado em Brasília durante o período eleitoral, com alvos mapeados na Esplanada dos Ministérios.
As ações também expuseram redes criminosas que utilizavam as mesmas plataformas para promover violência contra mulheres, radicalizar adolescentes e induzir crianças ao suicídio e à automutilação.
A Operação Rede Interrompida ficou a cargo da Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF), enquanto a Operação Lívia foi conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
Durante as ações, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com apoio das polícias civis estaduais, do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Ciberlab.
As investigações identificaram grupos no Telegram e no Discord utilizados para articular um plano de atentado em Brasília durante o período eleitoral. Além da ameaça terrorista, as operações revelaram redes criminosas que se valiam dessas plataformas para promover violência contra mulheres e meninas, recrutar e radicalizar adolescentes, disseminar discursos de ódio com conteúdo neonazista, antissemita e misógino, incentivar a automutilação de crianças e induzir ao suicídio.
Alvos em Brasília e crimes contra crianças
Segundo o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, a Operação Rede Interrompida localizou dois grupos públicos no Telegram nos quais integrantes compartilhavam informações sobre o planejamento de ataques na capital federal.
Os investigados catalogaram a localização de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) na área central de Brasília.
“Foram identificados dois grupos públicos na plataforma Telegram que compartilharam informações sobre planejamento de atentados na cidade de Brasília, na nossa capital, inclusive em possíveis interesses envolvendo a Esplanada dos Ministérios”, afirmou Fernandes, em entrevista coletiva.
Entre os materiais compartilhados pelos grupos estava a planta baixa do Palácio do Planalto, apontado como alvo prioritário para outubro segundo os investigadores.
A Operação Lívia, por sua vez, mirou perfis suspeitos de integrar grupos que promoviam desafios de violência extrema, automutilação e indução ao suicídio voltados a crianças e adolescentes, com transmissões ao vivo realizadas no Discord. As investigações tiveram início após a morte de uma adolescente de 13 anos ocorrida durante uma dessas transmissões.
Responsabilização das plataformas digitais
As operações ocorrem em um momento de transformação no marco regulatório das plataformas digitais no Brasil. As novas regras ampliaram a responsabilização das empresas pela circulação de conteúdos relacionados a crimes graves, permitindo que sejam responsabilizadas por material de terceiros, sobretudo em casos que envolvam violência contra crianças e adolescentes.
Segundo as investigações, há indícios de que o Telegram e o Discord descumpriram normas que disciplinam o ambiente digital, entre elas o ECA Digital, legislação que amplia as responsabilidades de plataformas e aplicativos na proteção de crianças e adolescentes.
A persistência desses grupos em plataformas de amplo acesso, com planejamento de atentados e crimes contra menores circulando em canais públicos, coloca em xeque a efetividade dos mecanismos de moderação adotados pelas empresas e reforça a urgência de aplicação das novas regras.

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