O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) manteve a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM para quarta-feira (5), após não chegar a um acordo com o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A paralisação, que afeta principalmente a zona leste da capital, segue pelo menos até 17h, quando a categoria realiza nova assembleia para reavaliar as negociações.
O impasse persiste porque o governo não formalizou, por escrito, a garantia de manutenção dos empregos dos funcionários da companhia diante do processo de concessão das linhas ferroviárias.
O sindicato afirmou estar aberto ao diálogo e indicou que a greve poderá ser encerrada assim que o governo formalizar esse compromisso, o que até o momento não ocorreu.
O contexto que motivou a greve é o processo de concessão das linhas ferroviárias, que gera incerteza sobre o futuro dos trabalhadores da estatal.
Impactos da paralisação no transporte
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade operaram de forma parcial ou ficaram completamente fora de serviço: a Linha 11 funcionou parcialmente entre Barra Funda e Guaianases apenas em alguns períodos; a Linha 12 esteve fora de operação pela manhã e com operação parcial à tarde entre Brás e Engenheiro Goulart; e a Linha 13-Jade não operou durante o dia.
Os reflexos chegaram ao Metrô de São Paulo. As linhas 1-Azul e 3-Vermelha registraram trens e plataformas mais lotados que o habitual, com filas nas catracas.
Para tentar absorver a demanda extra, as estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata anteciparam a abertura para as 4h da manhã, e composições adicionais foram colocadas em circulação na Linha 3.
Como medida de contingência, o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado, mobilizando 128 ônibus para reforçar o transporte de passageiros. A prefeitura de São Paulo também suspendeu o rodízio de veículos ao longo do dia.
Acusações de descumprimento e posicionamento do sindicato
A CPTM acusou os ferroviários de terem operado abaixo do efetivo mínimo estabelecido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo a companhia, o TRT determinou que a operação nas três linhas mantivesse ao menos 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, com multa diária de R$ 400 mil ao sindicato em caso de descumprimento.
A CPTM afirmou, ainda, lamentar a greve, alegando que foram apresentados compromissos concretos e que há disposição da gestão estadual para avançar nas negociações.
O sindicato, por sua vez, sustenta que a paralisação decorre diretamente da ausência de uma garantia formal de manutenção dos empregos por parte do governo paulista, no contexto do processo de concessão das linhas.
Para a categoria, declarações de intenção não substituem o compromisso escrito exigido. A acusação sobre o efetivo mínimo, portanto, não responde à questão central do impasse: o governo ainda não assinou nada.
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