Flávio Bolsonaro chega a 79 dias sem prestar contas de Dark Horse e explicar dinheiro de Vorcaro

Flávio Bolsonaro chega a 79 dias sem prestar contas de Dark Horse e explicar dinheiro de Vorcaro
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro - Fotos: Jane de Araújo/Agência Senado e Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nesta quinta-feira (6) a 79 dias sem apresentar publicamente a prestação de contas sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 19 de maio, Flávio prometeu que a produtora Go Up Entertainment divulgaria, no prazo máximo de 30 dias, os detalhes das despesas e dos recursos empregados na produção do filme.
O prazo anunciado pelo próprio senador terminou em 18 de junho. Desde então, já se passaram outros 49 dias sem que Flávio Bolsonaro ou a produtora tenham apresentado ao público a prestação de contas prometida ou dado novas explicações sobre a origem e o destino do dinheiro.
A promessa foi feita às pressas após a divulgação de um áudio em que Flávio pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso por ser apontado como pivô da maior fraude financeira da história do Brasil, para bancar o projeto.
A promessa de transparência
Acuado pela repercussão do áudio em que negociava recursos com Vorcaro, Flávio Bolsonaro foi à imprensa, em 19 de maio, e anunciou que cobraria transparência dos responsáveis pelo filme.
“Meus pedidos, tanto à produtora quanto ao fundo, (foram) que eles se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento no filme, de forma transparente, em até 30 dias. Foi o que eu pedi”, declarou.
A iniciativa foi apresentada pelo senador como uma garantia de que não havia irregularidades no financiamento do longa. A transparência prometida, no entanto, nunca chegou ao público.
A pré-campanha de Flávio afirmou anteriormente que o assunto estava sob responsabilidade da Go Up Entertainment. A produtora, por sua vez, alegou que as informações já haviam sido prestadas à Justiça.
O processo, entretanto, corre sob sigilo.
“Nossa prestação de contas do projeto privado foi inclusa nos autos e já divulgada há dois meses. Fizemos isso através de uma perícia judicial”, afirmou Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up.
O que foi entregue ao Judiciário permanece, portanto, fora do alcance do público. A inclusão de documentos em um processo sigiloso não cumpre a promessa feita por Flávio de apresentar uma prestação de contas “a todo mundo” e “de forma transparente”.
Explicações ao PL também não vieram a público
A promessa havia sido feita também como resposta a uma reunião convocada pelo próprio senador com integrantes do PL para explicar sua relação com Daniel Vorcaro.
Na ocasião, Flávio afirmou que eventuais valores ligados ao investimento do banqueiro deveriam permanecer separados e à disposição das autoridades caso o filme gerasse retorno financeiro.
Até esta quinta-feira, nenhuma dessas medidas havia sido comprovada publicamente.
Assim, 79 dias depois da promessa e 49 dias após o fim do prazo estabelecido pelo próprio senador, ainda não é possível saber publicamente quanto cada investidor destinou ao projeto, como os recursos foram movimentados e qual foi o destino detalhado do dinheiro.
O dinheiro de Vorcaro em Dark Horse
Daniel Vorcaro é apontado como um dos principais financiadores de Dark Horse. Segundo apuração do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o banqueiro um total de US$ 24 milhões, equivalentes a R$ 134 milhões, para bancar o filme.
Os recursos de Vorcaro teriam chegado ao projeto por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O fundo recebeu cerca de US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, em aportes do banqueiro.
A Go Up Entertainment apresentou à Justiça um laudo pericial que declara gastos de R$ 75 milhões na produção do filme, com a totalidade dos valores proveniente do fundo Havengate.
O laudo, revelado em junho pelo site Metrópoles, indica que o custo declarado pela produtora representa 56% do valor que Flávio havia negociado com Vorcaro.
O documento, porém, não identifica quem foram os financiadores do projeto.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a Perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, diz o laudo.
A alegação de “origem privada” confirma a existência dos recursos, mas não esclarece de quem veio o dinheiro nem permite verificar de forma independente toda a movimentação financeira relacionada ao filme.

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