A resposta de Viviane Barci após Globo divulgar vídeo em suposto jato de Vorcaro

A resposta de Viviane Barci após Globo divulgar vídeo em suposto jato de Vorcaro
Na imagem Daniel Vorcaro. Que foi Resposta de Viviane Barci por utilizar o jatinho de Vorcaro. - O ex-banqueiro Daniel...

O escritório da advogada Viviane Barci divulgou uma nota neste domingo (20) depois que O Globo publicou um vídeo em que ela e seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aparecem desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. As imagens foram registradas em 22 de agosto de 2025.
A aeronave é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, operado pela Prime Aviation e vinculado à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A.
O avião aparece em documentos e mensagens reunidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Após a divulgação das imagens, o escritório Barci de Moraes afirmou, em nota repercutida pelo Metrópoles, que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, e negou que essas contratações representem qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores.
“A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation”, afirmou o escritório.
A banca também confirmou que Moraes acompanhou Viviane em alguns dos deslocamentos realizados pela empresa.
“Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)”, diz a nota.
Segundo o escritório, Daniel Vorcaro não esteve presente em nenhum desses voos e também não havia outras pessoas estranhas à banca nas aeronaves utilizadas por seus integrantes.
Resposta de Viviane Barci explica contratação do táxi aéreo
A manifestação procura esclarecer justamente a diferença entre contratar uma empresa de táxi aéreo e escolher ou manter relação direta com o proprietário de determinada aeronave.
O escritório afirma que cabia à Prime Aviation definir qual avião seria empregado em cada deslocamento. A banca acrescentou que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a empresa de aviação e que não realizou aquisição de cotas da Prime Aviation.
Essa distinção é relevante porque o vídeo divulgado por O Globo mostra apenas Moraes e Viviane desembarcando do PP-NLR. As imagens, isoladamente, não demonstram que o casal tenha mantido relação pessoal com Vorcaro, que o ex-banqueiro estivesse na aeronave ou que tenha ocorrido alguma irregularidade no deslocamento.
O episódio ganhou repercussão também por causa de uma manifestação anterior do gabinete de Moraes. Em abril, após reportagens sobre viagens realizadas em aeronaves operadas por empresas relacionadas ao universo empresarial de Vorcaro, o ministro afirmou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.
A nova nota do escritório sustenta que os deslocamentos ocorreram por meio de serviço regular de táxi aéreo e que a aeronave empregada em cada viagem era determinada pela empresa contratada.
O que dizem as mensagens encontradas pela PF
O PP-NLR também aparece no material extraído pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro.
A Fórum já mostrou que Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro, apareceu como interlocutor entre Vorcaro, Alexandre de Moraes e Viviane Barci em documentos da investigação. O material ajuda a reconstruir a cronologia dos contatos que antecederam negócios envolvendo o Banco Master e o escritório da advogada.
Em uma conversa datada de 21 de agosto de 2025, um dia antes do desembarque registrado no vídeo, uma interlocutora identificada como “Thatiane Prime” informou a Vorcaro que o PP-NLR estava programado para voar para “Barci” no dia seguinte. Vorcaro respondeu: “Não deixe de atender Barci”.
A mensagem demonstra que o ex-banqueiro recebeu informação sobre a reserva e orientou que o atendimento fosse mantido. Ela não demonstra, por si só, que Vorcaro estivesse no voo ou que Moraes e Viviane tivessem negociado diretamente com ele aquele deslocamento.
Outras mensagens reunidas pela PF tratam do uso de aeronaves e de negociações envolvendo o escritório Barci de Moraes. Parte desse material se refere a uma minuta de contrato de até R$ 50 milhões entre a banca e uma empresa ligada a Vorcaro, na qual apareciam cotas relacionadas a um avião Legacy 650 e a um helicóptero.
O escritório contesta a concretização desse negócio. A banca afirma que a proposta não foi aceita, que o documento não foi assinado e que não houve aquisição das cotas previstas na minuta.
Por isso, a existência da minuta e das conversas registradas pela PF deve ser diferenciada da efetiva celebração do contrato, ponto que permanece contestado pela defesa.
Caso segue em análise no STF
O material relacionado a Moraes integra a Petição 16.662, em tramitação no Supremo. Até o momento, o Plenário não julgou o mérito das informações reunidas pela Polícia Federal.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros passaram a discutir questões processuais, entre elas a possibilidade de tramitação conjunta da Petição 16.662 com outro procedimento relacionado ao caso Master. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Em comunicado oficial, o próprio STF ressaltou que o mérito da Petição 16.662 ainda não havia sido examinado.
Moraes nega irregularidades relacionadas ao caso. O escritório Barci de Moraes também rejeita interpretações de que as viagens revelem relação pessoal com Vorcaro e afirma que os deslocamentos foram realizados mediante contratação de serviços de táxi aéreo.
O vídeo divulgado agora acrescenta um registro visual de um dos deslocamentos já mencionados em documentos e reportagens anteriores. A controvérsia sobre a propriedade, a operação e a forma de contratação da aeronave, porém, exige a distinção entre aquilo que aparece comprovado nos registros e as conclusões que ainda estão sob análise das autoridades.

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