Entidade acusa Meta de lucrar com anúncios falsos do “Desenrola Brasil”

Entidade acusa Meta de lucrar com anúncios falsos do “Desenrola Brasil”
- Imagem Ilustrativa - Foto: Open source

A entidade de direitos digitais Ctrl+Z pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério da Justiça investigação da Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, por, supostamente, lucrar com anúncios falsos do programa “Desenrola Brasil”.
A organização acusa a empresa de omissão na retirada das propagandas fraudulentas e fundamenta o pedido em estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou 544 anúncios fraudulentos veiculados nas redes da Meta entre abril e junho deste ano.
A acusação coloca a big tech não apenas como ambiente onde o golpe acontece, mas como parte interessada no modelo de negócio que o sustenta.
Além do pedido de investigação, a Ctrl+Z requer, segundo a própria entidade, anexação de um novo estudo do NetLab aos autos de uma ação civil pública já movida pela AGU contra a Meta.
O caso, portanto, não começa do zero: a denúncia se insere em um processo judicial em curso, ampliando a base de evidências disponíveis para os órgãos públicos.
Base da denúncia: estudo do NetLab
O pedido da Ctrl+Z tem respaldo em levantamento do NetLab, laboratório da UFRJ especializado em estudos sobre internet. O trabalho mapeou 544 anúncios fraudulentos veiculados por 48 páginas nas redes da Meta entre 1º de abril e 14 de junho deste ano.
As peças promoviam tanto o “Desenrola Brasil” quanto um suposto programa chamado “Libera Brasil”, apresentado com condições de renegociação supostamente mais vantajosas.
De acordo com o NetLab (UFRJ), 72% das postagens mapeadas usavam nome ou imagem ligados ao governo federal (35,7%) ou a marcas privadas, especialmente o Serasa (32,4%), o que configura crime segundo o Código Penal.
Outros 38,1% dos anúncios recorriam à inteligência artificial (IA) para produzir deepfakes, vídeos falsos com imagens de políticos, influenciadores e jornalistas convocando usuários a aderir aos programas de renegociação.
A coordenadora do NetLab, Nicole Sanchotene, explica que o objetivo dos anúncios nem sempre é coletar dados ou dinheiro diretamente.
“Em alguns casos, os anúncios até levam o usuário para um site oficial no final. Mas até chegar lá, há um labirinto de publicidade. E nesse caso é a publicidade por clique, por visualização”, afirmou.
O benefício financeiro, segundo ela, vem também do tráfego gerado por sites criados especificamente para veicular as propagandas, o que conecta diretamente a receita publicitária da Meta à circulação do conteúdo fraudulento.
Posicionamento da Meta e continuidade da ação
Procurada, a Meta afirmou que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos assim que são identificados, garantindo que a remoção tem ocorrido nas postagens envolvendo o “Desenrola Brasil”.
“Recomendamos que as pessoas nunca compartilhem informações de login e denunciem, pelas próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas. A Meta reforça ainda que coopera e responde a requisições das autoridades nos termos da legislação aplicável”, destacou a empresa.
A resposta, no entanto, não aborda a acusação central da Ctrl+Z: a de que a Meta lucrou com a veiculação dessas peças antes de removê-las. A AGU informou ter conhecimento do estudo do NetLab, mas não detalhou os próximos passos em relação ao pedido de anexação do novo levantamento à ação civil pública em andamento.

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