Marco Buzzi: juiz acusado de importunação sexual é afastado pelo STJ

Marco Buzzi: juiz acusado de importunação sexual é afastado pelo STJ
Marco Buzzi - O ministro Marco Buzzi (Sergio Amaral/Foto: STJ

O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quinta-feira (6) aplicar ao ministro Marco Buzzi a pena de disponibilidade, acompanhada de proposta de perda do cargo. A decisão foi tomada no processo administrativo disciplinar (PAD) aberto para apurar acusações de assédio sexual, importunação sexual e outras condutas atribuídas ao magistrado.
Todos os 28 ministros presentes ao julgamento reconheceram a existência de infrações disciplinares. Houve, porém, divergência sobre a punição. A maioria acompanhou o entendimento da comissão responsável pelo PAD, formada pelos ministros Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bôas Cueva, que defendeu a disponibilidade com proposta de perda do cargo.
Quatro ministros — Gurgel de Faria, Regina Helena Costa, Moura Ribeiro e João Otávio de Noronha — votaram pela aposentadoria compulsória, mas ficaram vencidos.
A decisão ocorre após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicar, nesta semana, a Resolução 693/2026, que substituiu a aposentadoria compulsória pela disponibilidade com proposta de perda do cargo como sanção mais severa aplicável a magistrados vitalícios. O entendimento também considera decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu a aposentadoria compulsória como punição disciplinar.
O procedimento determina que o caso seja encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU), que deverá apresentar ao STF uma ação para pedir a perda definitiva do cargo. Até uma decisão final, Buzzi permanecerá afastado e receberá remuneração proporcional ao tempo de contribuição.
O ministro está afastado das funções desde fevereiro e também foi impedido de acessar as dependências do STJ. Além do PAD, ele é investigado em um inquérito criminal no STF, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, e responde a outro procedimento administrativo no CNJ.
As acusações analisadas pelo STJ envolvem duas mulheres. Uma jovem de 18 anos afirmou que sofreu importunação sexual durante um banho de mar em janeiro de 2026, na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC). Segundo o relato, Buzzi teria tentado agarrá-la contra sua vontade. A família da jovem estava hospedada na casa de praia do ministro.
A segunda denúncia foi apresentada por uma ex-funcionária terceirizada do gabinete. Ela relatou episódios de assédio e importunação sexual entre 2023 e 2025, incluindo toques sem consentimento e comentários de natureza sexual.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou que os relatos das denunciantes eram firmes, coerentes e compatíveis com as provas reunidas no processo. Segundo a apuração, também foram analisadas mensagens trocadas após o episódio na praia, conversas da jovem com a namorada e depoimentos relacionados ao ambiente de trabalho.
Buzzi negou as acusações durante o processo. A defesa sustentou que as denúncias seriam resultado de um conluio para prejudicar o ministro e questionou a consistência dos relatos. No caso ocorrido na praia, os advogados alegaram que imagens, perícias, laudos médicos e as condições físicas do magistrado não seriam compatíveis com a versão apresentada pela denunciante.
A defesa afirmou ainda que Buzzi utiliza bengala, possui histórico de quedas e apresentou documentos médicos, incluindo laudos que apontariam disfunção erétil. Sobre a ex-funcionária, os advogados argumentaram que a rotina do gabinete e a circulação de pessoas não seriam compatíveis com os episódios relatados.
Após o julgamento, a advogada Maria Fernanda Saad Ávila afirmou que a defesa respeita, mas discorda da decisão e que avaliará os próximos recursos e medidas cabíveis.
 

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